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| Torre de Moncorvo .Foto A.F.F.M. |
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 20
Manuel Fernandes de
Miranda. Nasceu em
Torre de Moncorvo e foi para França, fugido da inquisição, instalando-se em
Bordéus por 1650. Anos depois, em 1657, ele e o irmão José de Medina aparecem
taxados entre os mais ricos mercadores sefarditas da cidade, cada um com 3 000
L. Não desprezando qualquer ramo de comércio, os seus investimentos
dirigiram-se principalmente para os transportes marítimos. E os seus barcos
tanto iam para a pesca da baleia e do bacalhau nos mares da Gronelândia, como
para o Brasil e as Índias. E aparecem também no tráfico negreiro, sendo
conhecidos dois contratos assinados por Manuel Fernandes. Um deles, datado de
8.12.1696, refere-se à compra e transporte de 500 “peças” da praça de S. João
Baptista, na Costa da Guiné para o Suriname. O outro, datado de 3.12.1697,
respeita ao transporte de 101 escravos de Angola para o Suriname, em preço de
201 florins por cabeça. Juntamente com outros mercadores sefarditas de Bordéus
participou na empresa que teve a seu cargo a abertura de um canal de navegação
pelo rio Garona, entre Bordéus e Toulouse, permanecendo depois na exploração
dos transportes fluviais. Especializou-se mesmo no transporte de passageiros e
mercadorias que, vindos do Norte ou atravessando os Pirinéus, se dirigiam para
as partes do Mediterrâneo, nomeadamente Marselha, Roma e Livorno. Este fluxo
migratório e turístico ganhou particular intensidade e fez multiplicar os
lucros de Manuel Fernandes pelos anos de 1665, quando apareceu, no Médio
Oriente, o falso messias Sabbatai Tsevi. Em simultâneo, abriu uma casa comercial
em Toulouse, dirigida por seus filhos José e Jerónimo de Miranda, casa que
vendia para os retalhistas de toda a região do Languedoc de França. Para além
de mercador de grosso trato e armador de barcos, Manuel Fernandes de Miranda
afirmou-se como um dos grandes banqueiros de Bordéus. Aliás, esta praça em
breve se revelaria demasiado pequena para as suas ambições, pelo que, ao início
da década de 1670, se transferiu para a grande metrópole que então era a cidade
de Amesterdão. Ironia da história: tornou-se no principal cobrador de
indemnizações pagas pelo governo de França às vítimas do célebre “auto de fé”
de Toulouse em que se contou o seu sobrinho Manuel Nunes de Miranda.
António Júlio Andrade
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Manuel Barreiro escreveu:Eu, peco perdao aqueles q nos directa ou indirectemente fizemos mal. Todo o homen E meu irmao
ResponderEliminarAntonio Coelho escreveu: Os Miranda são descendentes de judeus castelhanos instalados nas terras "de Miranda" de que adoptaram o nome. Minha trisavó era Miranda. Minha bisavó era Maria Ignácia Miranda Vara, de Rio Frio.
ResponderEliminarAntonio Coelho escreveu:A referência ao tráfico negreiro escandalizou algumas virgens ofendidas. Pelos vistos o tráfico, que foi a principal fonte de rendimento dos portugueses durante séculos, só é ofensivo se fôr praticado por algum judeu. Se fôr por um cristão não só é apreciado como nem faz parte da história. É normal...
ResponderEliminarA escravatura foi aceite pela igreja católica ao longo dos séculos. Inclusivamente é aceite nas Escrituras, com o apóstolo S. Paulo a recomendar aos escravos que obedeçam a seus senhores... É preciso não esquecer que Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir formalmente a escravatura, em 1854 e que, um pouco por toda a parte, os pensadores sefarditas estiveram na primeira linha da defesa dos direitos do homem. J. Andrade
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