Várias vezes temos dito que os
processos da Inquisição se constituem no melhor jazigo da memória do nosso
povo, porque eles foram instruídos com base nas vivências quotidianas e neles
pulsa, em toda a sua originalidade e sem artificialismos o viver colectivo das
pessoas. E por vezes, neste jazigo da memória, descobrem-se coisas
surpreendentes.Permitam uma pergunta disparatada e que é a seguinte:
- Haverá alguma relação entre o estudo dos processos da Inquisição de Miranda do Douro e o estudo do mapa rodoviário de Torre de Moncorvo?
- Nenhuma – dir-se-á – um verdadeiro disparate, realmente!
Pois, meus amigos, andávamos nós às voltas com os processos instaurados pela Inquisição em Miranda do Douro e caiu-nos à frente um documento bem interessante sobre aquele assunto. Refere-se à construção da ponte sobre o rio Sabor e que ainda hoje estabelece a ligação da estrada que vai da Beira Alta para o Nordeste Trasmontano, nas proximidades de Torre de Moncorvo.
Trata-se de uma obra de arte que vai ficar submersa dentro de um ou dois anos, pela água da barragem que se está construindo ali perto. Daí também a oportunidade deste texto. Antes de avançarmos, vejam como a câmara municipal de Torre de Moncorvo a ela se refere em texto datado de 7 de Junho de 1861:


