quinta-feira, 25 de julho de 2013

TORRE DE MONCORVO - PASSADO JUDAICO



Nos últimos tempos, na zona da antiga judiaria de Torre de Moncorvo,frente à casa da sinagoga, do outro lado da rua, em uma casa arruinada a que caiu o telhado, de paredes todas construídas com pedra miúda de xisto, ficou visível uma estrutura de granito que a foto documenta. Há quem estabeleça semelhanças com o "Elal" - sítio onde se guardavam os rolos da torah - de Castelo de Vide e do Sabugal.. Por mim, que nada percebo de arqueologia judaica, estranho muito o facto de em paredes feitas de pedras miúdas de xisto tenham colocado uma estrutura tão nobre, de granito trabalhado. E acho mais intrigante o elemento que se encontra caído em cima e que antes decorava ao meio aquela estrutura.Em outra casa, sita atrás da anterior para o lado nascente, em plano mais baixo, junto à porta da muralha medieval, metida também numa parede de pedra miúda de xisto, está a estrutura de granito que a foto 2 apresenta. Alguém consegue uma explicação?Ambas as casas se situam, como se disse, na zona da antiga judiaria,próximo de dois monumentos classificados (muralha medieval e igreja da misericórdia).  Ambas estão arruinadas e caídas, a pedir uma intervenção arqueológica e um estudo sistemático.  Alerto para isso os serviços camarários que, por sinal, até estão bem dotados de técnicos de arquitectura, engenharia, arqueologia e história... Por este e outros caminhos semelhantes passa, em meu entender, o futuro de Torre de Moncorvo e do Nordeste Trasmontano.
António Júlio Andrade

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Trancoso - Rolo da Torah regressa 500 anos após a expulsão dos Judeus


Imagem de arquivo
Sefer Torah (Rolo da Torah ou da Lei) vai ser recebido em Trancoso, no Centro de Interpretação da Cultura Judaica, no dia 21 de Julho. A cerimónia organizada pela Câmara Municipal de Trancoso através do Centro de Interpretação da Cultura Judaica “Isaac Cardoso” de Trancoso e a Shavei Israel, organização judaica sedeada em Jerusalém, conta com a presença do Presidente e Fundador da Shavei Israel, Michael Freund, dos Rabinos Elihau Birnebahum, Karen Weinberg e Elisha Salas.
O Rolo da Torah regressa assim a Trancoso mais de 500 anos após a Expulsão dos Judeus decretada pelo rei D. Manuel I em 1496 e posterior conversão forçada e a acção da Inquisição que dizimou a Comunidade Judaica trancosense de então.

domingo, 7 de julho de 2013

Subsídios para a criação de uma Rota dos judeus em Trás-os-Montes

 Bragança
 Igreja de Santa Maria
A fundação da capela da senhora dos Prazeres
Começamos a traçar esta rota pela cidade de Bragança e pelo mais antigo monumento cristão da cidade – a igreja de Santa Maria, também designada de senhora do Sardão, sita na cidadela, ao lado do castelo e da domus municipalis.
A construção do templo primitivo ter-se-ia efectuado logo em seguida à reconquista da terra pelos cristãos aos mouros, em estilo romântico. Mas terá sido ampliado e reconstruído entre 1700 e 1715, nomeadamente ao nível do seu alçado frontal, que apresenta um pórtico barroco ladeado por colunas salomónicas.
Pelo interior a igreja é dividida em 3 naves, separadas por 6 pilares em que assentam 6 longos arcos.
Na nave da esquerda, abre-se a chamada capela dos Figueiredos, da invocação de Nª Senhora dos Prazeres. Acerca do assunto, o ilustrado Abade de Baçal, dá-nos a seguinte informação:
- Esta capela, à mão direita de quem entra, é muito elegante, em estilo da renascença, com motivos ornamentológicos nos pés direitos e arco. No fecho deste, há um escudo composto de 5 folhas de figueira em aspa e na arquitrave a seguinte inscrição de letras conjuntas e inclusas que quer dizer: Esta capela mandou fazer Pedro de Figueiredo alcaide-mor. 1585.[1]
O mesmo autor, em outro passo das suas Memórias – tomo VI, pg. 747 - deixou copiado o referido brasão. E ainda no mesmo tomo, em outra página, ao apresentar as origens da família Figueiredo, a outorga do barsão e a fundação do morgadio, acrescenta a seguinte informação:
- Pedro de Figueiredo casou com D. Violante Sarmento, sua prima, filha do alcaide-mor Lopo Sarmento (…) e de D. Maria de Morais Pimentel. Instituiu um morgadio em 1585, com capela na igreja de Santa Maria, de Bragança e nomeou para primeiro administrador sua mulher D. Violante Sarmento.[2]
Pois é exactamente aqui que começa a nossa Rota dos Marranos. É que esta capela será um caso verdadeiramente exemplar de como se pode alterar a história e apagar a memória.
Na verdade esta capela da Senhora dos Prazeres não terá sido mandada construir por Pedro Figueiredo. Tão pouco ele era alcaide em 1585 e não era então casado com D. Violante Sarmento. A verdade exige que esta história seja reescrita.