quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Listas dos indivíduos pertencentes ao distrito e bispado de Bragança processados na Inquisição por judaísmo



AGROCHÃO
Concelho de Vinhais
Inquisição de Évora
Auto de 20 de Julho de 1710
1 – Francisco de Crasto de Almeida, estrangeiro, natural de Agrochão,
morador na vila de Mértola, de 58 anos, 2ª. Cárcere e hábito a
arbítrio(138).
Inquisição de Coimbra
Auto de 6 de Agosto de 1713
2 – João de Crasto, meirinho do assento da cidade de Bragança,
natural de Agrochão, morador de Bragança, de 49 anos, 5ª.
(138) Lista das pessoas que saíram, condenações que tiveram e sentenças que se leram no Auto público de Fé, que se celebrou no tabuleiro da Paroquial Igreja de Santo Antão desta cidade de
Évora, em Domingo 20 de Julho de 1710, sendo Inquisidor Geral o ilustríssimo senhor Bispo
Nuno da Cunha de Ataíde, do Conselho de S. Majestade e seu capelão-mor.
Estas Listas encontram-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, Colecção Moreira, algumas
impressas e outras manuscritas.

FRANCISCO MANUEL ALVES, ABADE DE BAÇAL

BRAGANÇA MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA
ou
Repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas,
geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas,
etimológicas, industriais e estatísticas interessantes tanto à
história profana como eclesiástica do distrito de Bragança
TOMO V
OS JUDEUS
NO DISTRITO DE BRAGANÇA

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A alheira foi criado pelos judeus


O prato de alheira foi criado pelos judeus, como uma forma de fugir à Inquisição. Havia uma grande comunidade judaica em Trás-os-Montes nos finais do século XV princípios do século XVI, oriunda de Castela, de onde os judeus haviam sido expulsos em 1492. Como os judeus por imperativos religiosos não comem carne de porco, eram facilmente identificáveis pelos elementos da Inquisição, pois eram os únicos que não faziam nem defumavam enchidos à base de carne de porco.Estes eram bastante populares na época, pelo que facilmente se percebia que quem não incluía enchidos na alimentação  podia ser judeu. Assim, para disfarçar, os judeus começaram a fazer enchidos com carnes de vitela, coelho, peru,pato, galinha e perdiz, envolvidos em massa de pão para dar consistência, que se tornariam bastante populares, mesmo entre os cristãos. Acabaram por ser estes a introduzir carne de porco, assim como o alho, condimento que viria a estar na origem do nome alheira.
http://www.infopedia.pt/

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sabores Judaicos - Trás-os-Montes,por Graça Sá-Fernandes, Naomi Calvão

Na recolha de material sobre a tradição oral, ainda mantida pelos cripto-judeus, em Trás-os-Montes, deparámos com várias orações, práticas religiosas, alimentares e outras.
Estes costumes eram, e são, transmitidos essencialmente pelas mulheres.
Com perigo, até da própria vida, os cripto-judeus transmontanos tiveram que, ao longo do tempo, esconder, e mesmo evitar, todos os costumes e preceitos que os comprometiam.
São disso exemplo o abandono sucessivo da Circuncisão, da Festa das Cabanas, da Delegação Ritual, da Preparação do Vinho, do Uso dos Livros Sagrados e utensílios pertencentes ao culto.
Por outro lado, é muito interessante ver como, passados cinco séculos, persistiu a consciência religiosa em vários campos e como conseguiram, disfarçadamente, continuar com a prática do culto judaico, iludindo a vigilância inquisicional.
Podemos, ao longo deste livro, tomar contacto com alguns desses hábitos.
A alimentação foi, desde sempre, como em todas as comunidades judaicas, um dos traços mais fortes da sua tradição e simbologia características.
Usámos uma cronologia litúrgica para facilitar a leitura das receitas.
http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=7916

domingo, 17 de fevereiro de 2013

JUDEUS DE TRÁS-OS-MONTES MANTÊM PERFIL GENÉTICO

Foto  A.F.P.D.S.J.
Um estudo recente, coordenado por António Amorim, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), vem demonstrar que a comunidade de descendente de judeus, em Trás-os-Montes, conseguiu manter uma identidade cultural que se correlaciona com a persistência de um perfil genético distinto.
É a primeira vez que a composição genética dos judeus portugueses do Norte é analisada e a conclusão aponta para um baixo nível de contaminação por mistura de sangue e para a preservação de genes judaicos.
Pode falar-se de uma comunidade transmontanas de proveniência judaica com dupla composição: uma autóctone e outra castelhana, robustecida pela expulsão dos judeus de Castela, em 1492, e pela fuga à Inquisição do reino vizinho. Após os decretos de expulsão/conversão forçada (por D. Manuel I, em 1496) e após três séculos de Inquisição, este estudo pretende traçar a demografia histórica das comunidades criptojudaicas e da diáspora sefardita . Ainda não está concluído, mas já foram lançados alguns resultados preliminares que se relacionam com a zona de Trás-os-Montes: está feita a caracterização da composição genética da comunidade de judeus do Distrito de Bragança.
Para a elaboração deste estudo foram analisados 57 indivíduos (das aldeias de Carção e Vilarinho dos Galegos; vila de Argoselo; Cidades de Bragança e Mogadouro) que se assumiam como possuindo ancestralidade `judaica`.
De acordo com o coordenador do estudo, António Amorim, foram detectadas em comunidades do distrito de Bragança “linhagens típicas do Próximo Oriente dez vezes mais frequentes do que no resto do país que se identificam como sendo de origem judaica”. Pode dizer-se, continua António Amorim, “que houve manutenção de uma identidade cultural que se correlaciona com a persistência de um perfil genético distinto, mas que não corresponde a um isolamento total”. Quanto à interpretação destes dados, o investigador prefere “esperar pelos resultados das linhagens femininas para (re)analisar essas questões”, sendo que, de
qualquer modo, "o nível histórico e socilógico dessa análise será feito por especialistas nessas áreas”. O estudo emergiu de uma análise do cromossoma Y (masculino), passado exclusivamente de pai para filho, e denunciou uma diversidade muito elevada de linhagem, com uma incorporação de genes não-judaicos relativamente pequena e a ausência de um acentuado desvio genético. Falta agora tentar perceber como é que estas comunidades evitaram a mistura de genes, previsível durante séculos de repressão religiosa.
Este estudo tem, no entanto, uma amplitude mais vasta. Abraça o crescente interesse, em várias áreas científicas, pela reconstituição de migrações, nomeadamente das populações judaicas que constituem um paradigma de comunidades em migração constante. O projecto focou um subconjunto bem limitado desses movimentos: o das comunidades judaicas da Ibéria depois do século XVI, quando esta minoria demograficamente importante foi forçada a escolher entre a conversão e o exílio. Pretende utilizar marcadores genéticos de populações actuais para inferir a demografia histórica das comunidades que permaneceram na Ibéria e daquelas que migraram para a Europa do Norte e para o Novo Mundo.
Foi estabelecido, previamente, o perfil genético das populações portuguesas actuais e deu-se início à caracterização das comunidades criptojudaicas (estando a das linhagens masculinas do Noroeste está já concluída). O próximo passo será investigar as comunidades Sefarditas da Europa e da América bem como elucidar o impacto da migração forçada de crianças de origem judia para São Tomé e Príncipe por volta de 1500 (caso tenha existido). As questões específicas a que tencionamos responder são:
(a) aquando dos decretos de expulsão essas comunidades eram geneticamente distintas? (b) em que medida as comunidades que permaneceram em Portugal mantiveram não só a sua identidade cultural, mas também o seu fundo genético? (c) o isolamento cultural acarretou o empobrecimento da diversidade genética? (d) o perfil genético das comunidades migrantes é consistente com a sua fundação por judeus ibéricos ou revela a incorporação de outras contribuições? e (e) em qualquer caso, as comunidades Europeias e Americanas revelam o mesmo padrão genético ou é diverso, nomeadamente em termos de género, como é clássico observar em ambientes coloniais?
Para responder a estas questões vão ser utilizados marcadores genéticos capazes de distinguir as histórias das linhagens femininas e masculinas das comunidades estudadas, de traçar os perfis genéticos dos fundadores e estimar proporções de mistura. Limitando a análise a casos relativamente simples e contrastantes, poderemos delinear modelos que permitam a investigação subsequente em situações mais complexas, como as da Diáspora mediterrânica.Será também possível a esclarecer o tipo e a quantidade de fluxo genético entre as comunidades judaicas e as suas envolventes
Os resultados preliminares foram publicados recentemente no American Journal of Physical Anthropology (Revista Norte-americana de Antropologia Física). O projecto envolve 16 investigadores, 10 dos quais doutorados, e cinco unidades de investigação: IPATIMUP, Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Centro de Estudos Sefarditas `Alberto Benveniste`, Centro de Investigação em Antropologia da Universidade de Coimbra e Society of Crypto-Judaic Studies.
Resta acrescentar que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) reprovou este projecto destinado a traçar pela genética a história dos judeus sefarditas, alegando que “Um estudo genético deste tipo abre a porta a toda a espécie de manipulação ideológica”, temendo ainda “danos morais e intelectuais” de “extensão considerável” em comunidades “rurais e frágeis”. O coordenador do Projecto afirmou que não iria aceitar nem os argumentos, nem a decisão da FCT. 
AS / REIT + AA / IPATIMUP + ER / FCUP

sábado, 16 de fevereiro de 2013

1º Shabat em Trancoso

TRANCOSO (Portugal) - Celebração do 1º Shabat em Trancoso
 De Jose Levy Domingos 
 MAIS DE 500 ANOS APÓS A EXPULSÃO DOS JUDEUS DE PORTUGAL POR ORDEM DE D.MANUEL PRIMEIRO E DA CONVERSÃO FORÇADA , CELEBROU-SE EM 8/9 DE FEVEREIRO PELA PRIMEIRA VEZ UM "SHABAT" EM TRANCOSO NA RECÉM CONSTRUÍDA SINAGOGA "BET MAYIM HAYIM" (CASA DAS ÁGUAS VIVAS) INTEGRADA NO CENTRO DE INTERPRETAÇÃO JUDAICA "ISAAC CARDOSO". A INICIATIVA FOI DE JOSE LEVY DOMINGOS QUE ORGANIZOU EM TRANCOSO O SEMINÁRIO DO "KIVUNIM-NEW DIRECTIONS" , ESCOLA JUDAICA SEDEADA EM NEW YORK E QUE A SEU CONVITE SE DESLOCOU PELA TERCEIRA VEZ A TRANCOSO , SOB A DIRECÇÃO DO RABINO DOV LEREA, DE NEW YORK, DESCENDENTE DE JUDEUS DE LEIRIA. FEZ-SE ASSIM HISTÓRIA NESTE MOMENTO EMOCIONANTE EM QUE ESTIVERAM PRESENTES DESCENDENTES DE CRISTÃOS-NOVOS E JUDEUS DA REGIÃO PORTUGUESA DA BEIRA ALTA. NO SERVIÇO DE "SHABAT" O RABINO DOV LEREA FALOU DE THOMAS (ISAAC) PINEDO, JUDEU NASCIDO EM TRANCOSO NO SECULO XVII, FILOLOGO , QUE MORREU EM AMSTERDAM (Trancoso 1614, Amsterdam,1679) E EVIDENCIOU A IMPORTÂNCIA DESTA CELEBRAÇÃO COM JOVENS ESTUDANTES JUDEUS NA CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA DA PRESENÇA E DA FÉ JUDAICA EM TRANCOSO . A EMOÇÃO, A PARTILHA DE SENTIMENTOS E O ABRAÇO FRATERNO DO KIVUNIM MARCOU SIGNIFICATIVAMENTE ESTE "SABATH" DE 8/9 DE FEVEREIRO DE 2013. A HERANÇA JUDAICA ESTA ASSIM VIVA E REFORÇADA NA BEIRA INTERIOR E NA BEIRA 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

TRANCOSO - "Herança e Património Judaico"

O colégio judaico KIVUNIM , sediado em New York realizou em Trancoso (Portugal) mais um Seminário sobre "Herança e Património Judaico" no âmbito das suas actividades internacionais. Cerca de quatro dezenas de alunos dirigidos pelo Rabino Dov Lerea (descendente de Judeus Portugueses de Leiria) estiveram dois dias nesta histórica cidade onde contactaram directamente com os testemunhos deixados pelos Judeus e Cristãos-novos através de sinais, marcas, inscrições e memórias que marcaram ao longo dos séculos a vida social, cultural e económica local e regional e mesmo nacional. Personalidades judaicas oriundas de Trancoso que se distinguiram nos campos da medicina, literatura, filosofia e economia foram evocadas no decorrer deste Seminário do KIVUNIM , entre elas Manuel Telles da Costa, Isaac Cardoso, Isaac de Pinedo, Fernando Mendes.
O Rabino Dov Lerea explicou aos alunos a importância destas registos para o conhecimento do passado judaico não só em Trancoso mas em Portugal, em Sefarad (Península Iberica) e ter a noção do sofrimentos e dor que as perseguições causadas pela expulsão dos Judeus de Portugal em 1496 por ordem do rei Dom Manuel 1º e pela Inquisição e ao que tiveram de recorrer os forçadamente convertidos ao catolicismo para se protegeram a si e suas famílias, mostrando-se exteriormente cristãos e em casa judeus. Assim nasceu o Marranismo que permaneceu até à actualidade. José Levy Domingos, jornalista e investigador, membro da Comunidade Judaica, foi o organizador do programa da visita do KIVUNIM e o guia através da Judiaria de Trancoso onde mostrou e explicou os sinais e marcas judaicas e cripto-judaicas o seu significado, disfarces e mensagens. Deambulando pelas ruas do Centro Histórico observaram-se cruciformes, o leão de Judá, as Portas de Jerusalém e a figura de "judeu inclinado" na Casa do Gato Negro, a marca de ferreiro, o "Shem hashem" com caracteres hebraicos, dois nomes escritos em caracteres hebraicos (Samuel e Moron), o Sonho de Jacob, o Shim ( letra hebraica que inicia a palavra Shadai=santo), os Pentagramas, os anagramas de IHS... No Teatro Municipal /Convento de São Francisco realizou-se um Sarau Cultural com o Coral "Canto D'Alma" da Santa Casa da Misericórdia de Trancoso que briondou os visitantes com trechos de música portuguiesa, Trovas de Bandarra e temas musicais internacionais num espectáculos de interacção que culminou com a actuação de todos os alunos norte-americanos presentes que interpretaram canções judaicas en hebraico e Ladino . Foi um Seminário que além de ter registado a celebração do Primeiro Shabat na recém construida Sinagoga Bet Mayim Hayim (Casa das Águas Vivas) integrada no Centro de Interpretação da Cultura Judaica "Isaac Cardoso", mais de 500 anos após a Expulsão dos Judeus e o Santo Oficio ( que de santo só tinha o nome e em nome de um pretenso catolicismo fanático e torpe) ter dizimado a Comunidade Judaica de Trancoso e levado este povo a procurar outras nações e paragens para onde levaram saberes, cultural, ciência e trabalho que irremediavelmente deixaram esta terra e Portugal para engrandecerem outras nações entre as quais os Estados Unidos, França, Belgica (Flandres),Holanda/Países Baixos, Brasil, Itália, Grecia, Israel,Turquia, Marrocos, America-latina, entre outros. Ficou a memória, ficaram os sinais e os registos de um povo que teme a D-us e nele busca sua força, inteligência, vontade e fé. José Levy Domingos The Jewish 
http://www.facebook.com/jose.l.domingos/posts/4156884092191