![]() |
| Bragança- anos 50 |
sábado, 20 de outubro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 11
José da Costa Vila Real. A família dos Costa Vila Real
ganhou uma projecção extraordinária no mundo sefardita e na sociedade inglesa.
Destaque muito especial para um dos seus membros – José da Costa. Nasceu em
Bragança por 1689 e faleceu em Londres em 1730. Foram 4 décadas de uma vida
intensa, com a inquisição de Coimbra em perseguição constante de seus
ancestrais, paternos e maternos. Por 1706, vivia em Lisboa, em casa do pai que,
depois de enviuvar, casou segunda vez e trocou Bragança pelo sul do país,
acabando por fixar-se em Lisboa. Na capital do reino não abrandou a vigilância
do tribunal da fé sobre eles, sendo presos todos os membros do agregado
familiar: o pai, a madrasta, as irmãs e… José da Costa, naturalmente.
Seguiram-se mais de 5 anos nas húmidas e escuras masmorras, entre 1706 e 1711.
Posto em liberdade, depois de abjurar publicamente no auto da fé, rapidamente
reconstruiu sua vida e fazenda, em negócios de açúcar e tabaco e muito
especialmente em contratos de abastecimento de géneros aos exércitos
estacionados em Trás-os-Montes. No verão de 1726, quando a inquisição tinha já
um segundo processo organizado e se preparava para o prender novamente, José
Vila Real protagonizou uma incrível aventura. Deflagrando então um incêndio em
Lisboa, aproveitou a confusão reinante para se meter em um barco inglês que
estava ancorado à saída para o mar e nele embarcou com mais 17 membros de sua
família e a maior parte de sua fortuna, antecipadamente transformada em
dinheiro e papéis de crédito garantidos. E ainda antes da sua chegada, já a
imprensa Londrina informava desta fuga e avaliava a fortuna transportada em
mais de 300 mil libras. Digno de registo também é o facto de antes da fuga e
para que ninguém pudesse dizer que ele fugia por causa de alguma dívida ou
possível falência comercial, José da Costa fez-se munir de certidões tiradas na
Casa da Índia e nas Alfândegas do tabaco e do Açúcar, atestando que nada devia
ao fisco nem ao estado português. E se a fama de capitalista o precedeu na
chegada a Londres, mais badalado ainda seria o seu casamento no ano seguinte,
no seio da família de António Lopes Suasso, também originário de Bragança,
possivelmente o detentor da maior fortuna entre os particulares daquela época,
não apenas na Inglaterra mas no mundo ocidental. Do casamento de Isaac (nome
que tomou com a circuncisão) Vila Real e Kitty (Rachel) da Costa, nasceu uma
filha, Sarah, que casou com o visconde de Galway. Ironia da história: foragidos
de Portugal, os Costa de Bragança entram na classe da Nobreza de
Inglaterra!
António Júlio Andrade
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Sem comentários:
Enviar um comentário