quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Nós Trasmontanos Sefarditas e Marranos - 1


A generosidade é para mim uma das características mais vincadas dos Trasmontanos. Talvez esteja relacionado com a vida dura aquém dos montes. E por toda a parte onde os Trasmontanos chegam, eles estabelecem relações de boa vizinhança, baseadas naquela generosidade.
Porém, a generosidade que temos com estranhos e deles nos faz próximos falta muitas vezes nas relações entre nós e dos nossos nos afasta. Até parece que de generosos passamos a mesquinhos, no trato comunitário.
Cortiços -Foto de Luís Coelho
E isto acontece também quando lidamos com a história. Há Trasmontanos que foram grandes e são considerados em todo o mundo, mas completamente desprezados por nós, ignorados pelos que entre nós escrevem a nossa história e pelos que nos governam e têm obrigação de defender e valorizar o nosso património. Sim, este património, o património humano é bem mais importante que o património arqueológico, arquitectónico e etnográfico.
Exemplar, a este respeito, é o que se passa com os Trasmontanos Sefarditas e Marranos. Alguns deles ganharam relevo a nível mundial e têm os seus nomes inscritos em enciclopédias de âmbito mundial mas são esquecidos dos nossos dicionaristas e afastados da toponímia das nossas terras. Vou apresentar alguns exemplos:

Manuel Cortiços. Tendo embora nascido em Madrid, em 1603, os seus pais eram Trasmontanos fugidos da inquisição. A sociedade e a família perpetuariam no sobrenome, que ainda hoje conservam descendentes seus, a terra de sua origem - Cortiços - no actual concelho de Macedo de Cavaleiros. Manuel Cortiços foi um dos grandes banqueiros do seu tempo, possivelmente o maior em toda a península ibérica à data da sua morte em 1650. Mas o seu nome não consta em nenhum dicionário de ilustres Trasmontanos, onde até eu, pequeno escriba, já tomei lugar, por mão alheia.

José Cortiços. Nascido em Antuérpia em 1656 e falecido em Londres em 1742, foi outro dos membros da mesma família fugida de Trás-os-Montes. Virado para o abastecimento das tropas, durante a Guerra da Sucessão de Espanha, eles colocou-se do lado do Arquiduque Carlos, futuro imperador da Alemanha. Depois da guerra, a viver já em Londres,, José Cortiços queixar-se-ia de que a Inglaterra lhe ficou devendo 25 000 libras (de géneros fornecidos aos militares estacionados em Gibraltar) e Portugal 70 000, de provimentos ao exército do Marquês das Minas. Também o seu nome não consta das listas publicadas de notáveis Trasmontanos e nenhuma lembrança tem na terra de seus ascendentes Trasmontanos.


António Júlio Andrade

 

6 comentários:

  1. Ana Paula Costa escreveu: Obrigada Llo de Moncorvo pela partilha!!! Boa tarde! Abraço

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  2. Cortiços

    O nome da terra tem a ver com os cortiços usados na manufactura do linho e com uma velhíssima feira que aqui se realizava, provavelmente relacionada com esta mesma indústria.
    A freguesia dos Cortiços foi sede de concelho até à sua extinção em 1853. Em 1755 aparece agregada à comarca de Moncorvo, em 1839 à de Bragança, em 1852 à de Chacim e a partir de 1853 é anexada ao concelho de Macedo de Cavaleiros.
    D. Afonso IV dá carta de foral aos moradores de Cortiços e Cernadela em 9 de Janeiro de 1331. Em 1517, no reinado de D. Manuel, é-lhe atribuído um novo foral. Em 1853 é aprovada uma nova divisão administrativa e Macedo de Cavaleiros é instituído Julgado e concelho, abolindo assim o concelho dos Cortiços. Actualmente a freguesia tem como anexa a aldeia de Cernadela.
    Há muitos vestígios de ocupações antigas do território nos sítios do Cramanchão, do Morgadio e do Cabo, entre outros.
    A freguesia dos Cortiços tem uma grande valia patrimonial, sobressaindo a Igreja Matriz, a Capela de Santo António, conservada pela família Charula adstrita ao seu Solar, o Solar dos Pessanhas, o Solar dos Sá Mirandas (Sarmento) e o dos Lemos Costa (Charula). Registo ainda para o antigo edifício, provavelmente quatrocentista, da Câmara Municipal e o antigo edifício do Registo Civil, bem como para várias casas em granito na rua principal, com as suas varandas e alpendres, algumas de feição medieval e quinhentista.
    Do património da Cernadela destaca-se a sua Igreja Matriz, o pequeno santuário mandado edificar em 1766 conhecido como as Alminhas dos Alcoforados, a capela do povo, a fonte de mergulho, a ponte românica (reconstruída no século XIX), as eiras comunitárias e um pombal datado de 1723.


    Hino

    Linda aldeia dos Cortiços

    Terrinha bem situada

    Toda a gente é muito alegre

    E gosta de ser honrada.



    És a terra do bom trigo

    O qual te deu muita fama

    Quem te iguala não o digo

    Nesta terra lusitana.



    Na ribeira tens cebolas

    E na serra muito pão

    Tens uma bonita escola

    E também uma estação.



    Uma igreja bem situada

    E uma torre bem erguida

    Toda ela muito bela

    No encanto da cantaria.



    Linda aldeia dos Cortiços

    Cercadinha de oliveiras

    Toda a gente é muito alegre

    E também hospitaleira.


    Letra: Padre João, pároco dos Cortiços na década de 40

    Musica: Popular

    Transmitida por: Maria da Ressurreição Mendes, natural dos Cortiços

    Estatísticas

    N.º Habitantes: 495
    Eleitores: 479
    Área: 3376 ha

    Associações

    Associação Cultural, Recreativa e Cultural da Cernadela
    Associação de Caça e Pesca de Cortiços

    Festas e Romarias
    Santo António - 13 de Junho
    São Caetano - 2.º sábado de Agosto

    http://www.cm-macedodecavaleiros.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=28443

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  3. Daniel Vilar escreveu: Não consegui comentar no blog.
    Não sei se será uma característica dos Transmontanos!!!, tenho muitas dúvidas.Agora que tivemos grandes figuras de origem judaica em Trás os Montes, não tenho dúvidas.
    Que a maioria das pessoas não os conhecem na sua própria terra, não tenho dúvidas.
    Que muito estrangeiro procura muitas vezes ruas que têm o nome de grandes homens dessa origem e que ficam admirados porque querem conhecer, também é verdade......

    http://www.joaquimdecarvalho.org/artigos/artigo/76-Orobio-de-Castro-

    Oróbio de Castro - Joaquim de Carvalho, vida e obra
    www.joaquimdecarvalho.org

    O famoso controversista nasceu em Bragança, numa época em que a tolerância havia
    sucumbido à atrocidade de leis, que perseguiam e faziam expiar a fé jurada e a constância dos mais respeitáveis sentimentos como crimes monstruosos.

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  4. boa noite:qual a diferença entre judeus sefarditas e marranos? quais habitavam os cortiços? desde já obrigado.

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  5. Sem aprofundar muito a discussão, direi que:
    Judeu é todo aquele que segue a lei de Moisés.
    Marrano é aquele que, sendo cristão baptizado e praticando exteriormente o cristianismo(como por lei era obrigado, sob pena de morte,ele acreditava na lei de Moisés e prticava-a na medida do possível.
    Sefardita era todo o indivíduo de origem hebraica que morando em Portugal ou Espanha, fugia para outros países. Esta designação tem origem no facto de a Península Ibérica ser chamada em hebraico de Sefarad. J. Andrade

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  6. sou transmontana e fico admirada com o que acabei de ler ,,a nossa terra tem belas historias para aprender,,nao sabia nada a respeito,,sabia que muitos povos habitaram a peninsula iberica mas de marranos nao tinha ouvido falar,,,quem sabe eu sou descendente de marranos?,obrigada aos amigos que aqui deixaram este belo exemplo

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