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| " De Villa Real que he junto desta comarqua ..." |
Rodrigo Álvares. Não restam dúvidas de que
judeus e sefarditas foram pioneiros nas artes tipográficas, não apenas em
Portugal mas na Europa. E os irmãos Tartas, de Bragança, ocupam um lugar de
relevo na galeria dos tipógrafos e livreiros da Europa. Em Portugal um dos
primeiros tipógrafos chamou-se Rodrigo Álvares. Era um homem da nação hebreia,
trasmontano, natural e morador em Vila Real. Na última década do século de
Quatrocentos transferiu-se para o Porto e ali instalou uma das primeiras
tipografias que houve em Portugal. A fazer fé no dr. João de Barros, seria até
a primeira que existiu entre nós. Com efeito, aquele autor, no seu “Livro das
Antiguidades e Cousas Notáveis de Entre Douro e Minho”, publicado em 1540,
escreveu o seguinte:
- De Villa Real
que he junto desta comarqua foi natural hum Rodrigo Alvares que depois viveo no
Porto, e foi o primeiro que a este Reyno trouxe a Impressão, em tempo que valia
hum breviário seis e sete mil reis e este os imprimio a dois cruzados.
De onde trouxe ele a sua tipografia é coisa que não
sabemos, mas terá sido de Salamanca, pois à sua morte veio para ela a trabalhar
um tal Juan Porres, de Salamanca. Da tipografia deste marrano trasmontano,
chegaram até nós duas obras impressas:
- Constituições
que fez ho Senhor don Diogo de Sousa bispo do Porto – editadas em 24 de
Agosto de 1496, conforme o registo final: - Impressum
in porto civitate. Rodericum Alvares artes impressorie magistrum.
- Evangelhos e
Epistolas com suas exposições em romance. Também ao final se diz: - E foy a suso dicta obra emprimida e
traladada em linguagem português em há mui nobre e sempre leal cidade do Porto
por Rodrigalvares. Anno do Senhor Mil CCCCLXXXXII, xxv dias do mês de Outubro. E
estas notas são interessantes porque foram as primeiras que nos ficaram
mostrando “um mestre das artes impressoras” escrevendo o seu nome na própria
obra.
António Júlio Andrade
Nota. Sobre o assunto pode ver um trabalho publicado
no nº 233, de 2001-05-01, do jornal Terra Quente, da autoria de António Júlio
Andrade e Maria Fernanda Guimarães, sob o título: Cristãos-novos trasmontanos
Pioneiros nas Artes Tipográficas.
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