sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 33


Feliciano de Valência. Nasceu em Bragança, por 1561, sendo filho de Oliveira Nunes e Guiomar da Costa, originários de Benavente, Espanha. Concluídos os estudos preparatórios em Bragança, no Colégio da Companhia, transitou para a universidade de Salamanca, onde estudou Cânones e Leis, entre 1581 e 1584. Jurista, ligou-se a homens de negócio de Madrid e Sevilha, nomeadamente a Pedro Gomes Reinel e João Rodrigues Coutinho que tiveram o assento dos negros de África entre 1593 e 1603. E terá sido exactamente o negócio de escravos africanos que o levou para as Índias Ocidentais. Com efeito, ali o encontramos em 1593, a negociar no Peru e de passagem por Acapulco onde terá conhecido António Dias de Cáceres. No ano seguinte, porém, estava já em Espanha, na cidade de Cartagena, com um barco carregado de mercadorias a zarpar para o México, levando como feitor um Manuel Gil, da Guarda. No México entraria em contacto com a família de António Cárceres e muito em especial com Luís de Carvalhal, o Moço. E como ele se afirmava judeu ortodoxo. Porém, considerava que, embora só uma das 3 religiões monoteístas fosse verdadeira, as outras duas deviam ser respeitadas, pois se deviam a Deus. E contava que o rei D. João III tinha um grande amigo, cristão-novo, muito rico, que dispunha de 200 mil cruzados. E dizendo-lhe o rei que até simpatizava com a lei de Moisés mas que o melhor seria converter-se ele à lei de Cristo, que era a verdadeira, o outro lhe respondeu com esta parábola: um homem rico tinha 3 filhos e tinha só uma pedra preciosa para lhes dar. E para os contentar a todos, mandou fazer outras duas pedras falsas, que não se distinguiam da verdadeira. Juntou as três e disse aos filhos que tirassem cada um a sua, rogando a Deus que desse a verdadeira a quem fosse servido, pois só Ele sabia qual era. O mesmo se passa com as 3 religiões monoteístas, que nasceram por graça e inspiração divina. Esta parábola foi contada no tribunal da inquisição do México em Novembro de 1598 e a partir de então nada mais sabemos sobre este Trasmontano, Sefardita e Marrano que foi casado com Maria Fonseca.
António Júlio Andrade

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