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| Freixo de Espada à Cinta |
João de
Castilho.
Foi um dos mais celebrados arquitectos portugueses. O seu nome está ligado a
várias das mais grandiosas e emblemáticas obras de arquitectura nacionais, como
sejam: o mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, o convento de Cristo em Tomar, a sé
de Viseu, a fortaleza de Marzagão em África… Menos conhecida é a sua ligação à
gente da estirpe hebreia e a Trás-os-Montes. A terra de seu nascimento, porém,
foi Santander, em Espanha, por 1490. Dois anos depois, foi promulgada a lei de
expulsão dos judeus de Espanha e os seus pais tê-lo-ão trazido para Portugal e
mais concretamente para a vila de Freixo de Espada à Cinta. Nesta terra viria a
casar, com Maria Fernandes Quintanilha, filha de um outro fugido da inquisição
espanhola chamado Garcia Fernandes que, por sua vez, tinha casado na família
Varejão, porventura uma das mais ricas e poderosas do burgo. E estes
Quintanilha – Varejão aparecem-nos ligados à fundação da Misericórdia de
Freixo. E não seria por acaso que um grande “milagre” aconteceu exactamente na
igreja da Misericórdia onde os pés de uma estátua de Cristo Crucificado
entraram repentinamente a largar gotas de suor, em tempo de verão e de uma
prolongada seca, logo se seguindo uma enorme chuvada, que encheu de alegria os
lavradores. E de gratidão aos céus. E também na mesma igreja se conserva ainda
hoje o retrato de António Francisco Varejão que, por esses tempos, foi
missionário em terras do Oriente e o povo de Freixo elevou a “santo”.
Temos, pois, o arquitecto João de Castilho casado em
Freixo de Espada à Cinta, na família dos Quintanilha – Varejão que certamente
esteve na vanguarda do movimento para a construção da belíssima igreja da
Misericórdia. E também da extraordinária igreja matriz, que tem a dignidade de
uma sé episcopal e que os estudiosos da arte apelidam como os “Jerónimos de
Trás-os-Montes”. E também as famílias promoveram a construção de belas casas,
umas mais solarengas que outras, mas todas casando-se em harmoniosos
arruamentos, em típico estilo manuelino, o estilo em que João de Castilho foi o
expoente maior. E a minúscula e pobre terra adoptiva deste grande mestre de
arquitectura, situada no mais recôndito dos lugares do reino, para além da
fronteira duriense e para trás dos montes, tornou-se na mais emblemática das
terras Manuelinas de Portugal. E torna-se hoje imperioso dar a conhecer e
rentabilizar este património, fazer de Freixo de Espada á Cinta um ponto de
partida (ou de chegada) para uma Rota do Manuelino. E torna-se igualmente
imperioso fazer de Freixo de Espada à Cinta um ponto obrigatório de passagem
numa Rota de Judeus e Marranos, promovendo-se o estudo da simbologia judaica
que ornamenta portas, janelas e muros de casas, bem como a leitura e estudo dos
processos que a inquisição moveu contra os Marranos de Freixo de Espada à
Cinta. Estas duas Rotas de Turismo Cultural serão essenciais para o
desenvolvimento da terra.
António Júlio Andrade
Nota – Sobre este assunto pode ver um conjunto de 4
textos publicados no jornal Terra Quente (nº 227, de 2001-03-01 e seguintes) de
António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães,
sob o título: Os Judeus e a Renascença Manuelina em Freixo de espada à Cinta.
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