sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 34



Tomás da Fonseca. Terá nascido em Freixo de Espada à Cinta, cerca de 1521. Ainda pequeno seria levado para as Índias Ocidentais por seu pai, que foi um dos primeiros descobridores de minas na América espanhola. No México viveu Tomás cerca de 50 anos, sendo mineiro do ouro em Tlalpujahaua. Nunca casaria mas foi pai de 5 filhos naturais. Em 1596 foi preso pela inquisição do México, acusado de práticas de judaísmo. Saiu no célebre auto de fé celebrado em 25 de Março de 1601, condenado em cárcere e hábito perpétuo, 100 açoites pelas ruas da cidade e confisco de bens. Tinha 80 anos de idade.
No mesmo auto foi queimada a estátua de um outro sefardita natural de Freixo de Espada à Cinta, primo de Tomás da Fonseca, o qual havia morrido na cadeia, chamado Pelayo Álvares.
Conhecemos também um pouco da história de uma irmã deste, nascida e baptizada em Freixo de Espada à Cinta com o nome de Branca Rodrigues. Certamente com medo da inquisição portuguesa, fugiu para Ferrara, em Itália, ali tomando o nome judeu de Isaque Rodriga. Mudou-se depois para a cidade de Sevilha, em Espanha, onde passou a chamar-se Branca Lourenço. Naquela cidade portuária abriu uma pensão. E esta passou a ser a pensão de referência para os sefarditas Trasmontanos que demandavam Sevilha para se embarcar para terras de Marrocos e das Índias de Castela. Muitas vezes hospedava os migrantes de graça e até lhes arranjava merenda para a viagem. Temos conhecimento de dois que ali foram hóspedes gratuitos durante 3 meses. Bem merece esta valorosa mulher ser recordada com uma lápide em uma rua de Freixo de Espada à Cinta.
António Júlio Andrade


 

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