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| Chaves - início do século XX |
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 31
Francisco Rodrigues. Nasceria judeu e seria ainda
criança quando, na Páscoa de 1497, foi levado à igreja de Chaves para ser
baptizado e receber um nome cristão. Tal como os seus pais que passaram a
chamar-se Garcia Gonçalves e Aldonça Gonçalves, ignorando-se os nomes judeus que
todos tinham antes. Pouco depois a família deixou a vila de Chaves e fixou
residência na cidade de Bragança, terra onde, por 1518, Francisco Rodrigues se
casou com Isabel Lopes, que lhe deu 5 filhos e 4 filhas, a mais nova das quais
parece ter nascido no dia em que Francisco foi preso, em nome da inquisição.
Conseguiu fugir da cadeia de Bragança e internar-se em Espanha mas foi parar ás
malhas da inquisição de Valladolid, que o remeteu que o remeteu preso a
Portugal, correndo o seu processo perante o bispo do Porto D. frei Baltasar
limpo, pois que o tribunal de Coimbra ainda não tinha entrado em funcionamento.
Estranhamente, contra a fama justiceira daquele bispo e apesar das graves
acusações que sobre ele pendiam, Francisco Rodrigues saiu condenado em penas
ligeiras, abjurando em sala, sem comparecer em qualquer auto de fé. No entanto,
ele seria um dos líderes da nação hebreia de Trás-os-Montes. E tinha-se
destacado na luta contra a inquisição, pois foi na região de Bragança o
escrivão e recebedor dos dinheiros da finta lançada entre eles para financiar a
embaixada que tinham em Roma, negociando para que o papa não assinasse a bula
de criação do santo ofício. Do ponto de vista da sua profissão, Francisco
Rodrigues foi escrivão da câmara de Bragança, tabelião do ouvidor e do vigário
do arcebispo de Braga e procurador no juízo da comarca. Eram funções de grande
relevo e muito proveito, que exigiam um esmerada educação e instrução literária
e em leis. Ignoramos onde foi adquirida, se terá frequentado alguma universidade
(Salamanca, como o filho?), sabendo apenas que terá “estagiado” na Galiza, na
casa fidalga de D. Fernão de Andrade. Dos filhos de Francisco Rodrigues,
destacamos dois: Santiago Rodrigues, que casou e viveu em Bragança, em cuja
descendência nasceria o célebre médico e cientista Jacob de Castro Sarmento.
Outro foi o advogado Duarte Chaves que foi casar e viver em Miranda do Douro e
acabou queimado nas fogueiras da inquisição de Lisboa, acesas no auto de fé de
24.10.1559.
Nota: Mais informações ver o livro - Jacob de Castro Sarmento
– de António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães, editado por Nova Veja
Lda em 2010.
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