sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 30

MURÇA. Foto wikipédia
André Lopes da Silva. Nasceu na vila de Murça, cerca do ano de 1660, sendo filho de Diogo Garcia e Catarina Lopes. Casou em Bragança, com Beatriz Henriques, filha de António Mendes Furtado e Isabel Henriques. Nesta cidade estabeleceram sua residência e geraram uns 12 filhos. André foi preso pela inquisição de Lisboa em Junho de 1725, saindo penitenciado em cárcere e hábito no auto da fé de 25.6.1728. Era, certamente um dos homens mais ricos de Bragança e, não obstante ser homem da nação hebreia, passeava-se pela cidade montado em luxuosa sege. E era em sua casa da cidade, sita na praça do Colégio da Companhia, comprada ao fisco por 640 mil réis, que se hospedavam visitas da maior nobreza como eram os marqueses de Távora. De resto ele morava ordinariamente em uma formosa quinta dos arredores da cidade, chamada Quinta de Palhares, na qual construíra ele uma capela da invocação de S. Miguel onde, aos domingos e dias santos, um capelão particularmente contratado, celebrava missa para ele e para a sua família. A capela era cabeça de um morgadio por ele instituído, a que a mesma quinta estava vinculada. Para se avaliar do valor da citada quinta, refira-se que, em média, a sua produção anual de vinho eram umas 14 pipas e o pão se media em mil e tantos alqueires, de 13.8 litros o alqueire, nela se alimentando ainda um rebanho de 200 cabeças. Outras propriedades agrícolas tinha ainda fora da quinta, e no lugar de Ferreira, termo de Bragança, na chamada Quinta das Comunhas, construiu, em parceria com seu irmão, uma destilaria de aguardente, a qual valia uns 500 mil réis. Podemos assim afirmar que André Lopes da Silva era um grande empresário agrícola e agro-industrial. Mas era também assentista, trazendo contratado o assento das tropas de Trás-os-Montes, ou seja o fornecimento de comida e pagamento de soldos aos militares, bem como a aveia, cevada e palha para os cavalos. E trazia também arrendadas as cobranças de rendas de comendas na casa dos Távora e do almoxarifado da casa de Bragança. Naturalmente que nestas relações comerciais havia muitas dívidas, activas e passivas. E ressalta igualmente a actividade prestamista que também desenvolvia, aparecendo-nos na relação de bens efectuada à data da sua prisão uma bandeja e um cordão de ouro pertencente ao alcaide Lázaro de Figueiredo Sarmento que os deixara em garantia de 80 moedas de ouro que André Silva lhe emprestara na ocasião de seu casamento. Na carreira profissional de André Lopes da Silva consta ainda a passagem pela alfândega da comarca de Bragança onde durante mais de 10 anos foi feitor e recebedor, competindo-lhe também a fiscalização de mercados e feiras sobre produtos que não tinham pago os respectivos impostos, falando-se concretamente de intervenções sobre mercadores em feiras de Santa Maria do Azinhoso (Mogadouro) ou de S. João de frieira (Terra de Lampaças). E ainda o cargo de Ajudante-Mor da comarca, competindo-lhe, nomeadamente a tarefa de recrutamento de soldados.
António Júlio Andrade

Sem comentários:

Enviar um comentário