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| Real Filatório de Chacim .Foto: Carla A. Gonçalves |
sábado, 13 de outubro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 8
Jacob Rodrigues Pereira. Nasceu em Espanha, depois que seus
pais foram presos em Cádiz quando iam fugidos de Chacim, terra do actual
concelho de Macedo de Cavaleiros, perseguidos pela inquisição. Nenhum português
despertou mais atenção e mereceu mais elogios que ele por parte dos
enciclopedistas e dos membros da Academia das Ciências de França e até chegou a
ser contemplado com o estatuto de representante de toda a nação sefardita. Mas
esqueceram-se dele os dicionaristas dos ilustres Trasmontanos e creio que nem
uma placa tem a lembrá-lo na sua terra. O prestígio alcançado deriva do facto de
ter sido o primeiro grande investigador na área das ciências de educação dos
surdos-mudos. Da descendência de Jacob Rodrigues Pereira devemos citar dois
netos (Jacob Emílio pereira e Isaac Pereira) que ganharam lugar na história da
França e da Europa, por mérito próprio e são referidos como “Les Frères
Pereire”. Na verdade eles formaram uma dupla empresarial que deu cartas, nos
mais diversos ramos de actividade. A começar pelos caminhos de ferro, pois que
eles foram os maiores construtores de linhas no interior de França e também de
linhas transeuropeias. Com os pés bem assentes na terra, eles investiram
igualmente nos transportes marítimos, chegando a ter uma frota de 21 barcos
navegando nos mares. Ainda no domínio dos transportes, eles criaram uma “Companhia
Geral de Omnibus” e outra de “Entrepostos e Armazéns Gerais”. Esta, para além
de assegurar o transporte, carga, descarga e armazenagem de mercadorias, tinha
também uma secção de Seguros. E para garantir disponibilidade financeira das
empresas do grupo, os irmão pereira criaram a “Sociedade Geral de Crédito”, uma
espécie de banco popular onde cabiam também os pequenos investidores. O tempo
destes homens não era já o tempo da clandestinidade religiosa, mas o da
revolução industrial e do progresso, com o afluxo de multidões de camponeses às
cidades. E para responder à procura, os netos de Jacob Rodrigues Pereira
meteram-se a fundo na construção civil criando a “Companhia Imobiliária de
Paris” responsável pela construção de inúmeros blocos de apartamentos, vivendas
e hotéis e pela abertura de múltiplos arruamentos. E lançaram empresas
absolutamente inovadoras para a época: a “Companhia Parisiense de Iluminação,
Aquecimento e Gás” e a “Sociedade de Lavagens industriais”, que chegou a dispor
de 45 máquinas de lavar e 30 de lixiviar. Por 1870, “Lés Frères Pereire” eram
proprietários de 2 castelos, 21 hotéis, 55 boutiques, 314 apartamentos e 26
estrebarias – um verdadeiro império. Dizem-nos que actualmente existem mais de
400 descendentes directos desta família originária de Chacim, concelho de
Macedo de Cavaleiros. Será possível estabelecer contacto com alguns deles e
mostrar-lhes que a actual geração de filhos de Chacim se orgulha daqueles para
quem, em outras eras, a terra foi madrasta?
António Júlio Andrade
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Rui Rendeiro Sousa escreveu: Há uma artéria em Macedo de Cavaleiros que ostenta a placa "Rua Jacob Rodrigues Pereira"...
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