sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Nós Trasmontanos Sefarditas e Marranos - 2

Palácio de Schönbrunn
Fernando Montesinhos.
 Nasceu em Vila Flor em 1589 e faleceu em Antuérpia em 1659. Foi um dos chamados "Banqueiros do Rei" Filipe de Espanha e Portugal. Iniciando a vida no comércio de tecidos, especializou-se como "asientista", ou seja, contratador de serviços da casa real, como fosse a cobrança das rendas das salinas e comércio do sal ou o abastecimento de géneros às tropas. estacionadas no Norte de África. Tendo abandonado a terra por causa da inquisição portuguesa, acabou prisioneiro da inquisição espanhola de cujas cadeias saiu contra o pagamento da formidável quantia de 10 000 cruzados.

O Barão de Aguilar.
 Liberto das masmorras da inquisição de Coimbra, Francisco Lopes Pereira e a mulher, Maria Dias, meteram-se a caminho de Espanha. Ali fizeram fortuna, no negócio do tabaco. Um dos descendentes chamou-se Manuel e passaria à história com o título de Barão de Aguilar. Aquando da Gueera da Sucessão de Espanha, empenhou-se totalmente na cauda do Arquiduque Carlos que depois viria a reinar na Áustria. E para ali foi também o Barão de Aguilar, convidado a organizar a distribuição do tabaco no país, sob a forma de monopólio, recebendo a garantia de que lá podia professar abertamente o judaísmo. E por 16 anos ele deteve o monopólio da venda daquele produto. Amigo e conselheiro da imperatriz Maria Teresa, adiantou do seu bolso, a título de oferta à imperatriz, uns 300 000 florins para a construção do Palácio de Schöenbrunn, hoje classificado património da humanidade. O barão de Aguilar acabaria por mudar-se para Londres e ali faleceu em 1759 com 60 anos de idade. Quem o recorda em Mogadouro?

António Júlio Andrade

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