domingo, 4 de novembro de 2012

Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 18

Execução de condenados pela Inquisição,
no Terreiro do Paço, em Lisboa (séc. XVIII)
isaac de Castro. Foi outro dos membros da família Tartas, filho de Cristóvão Luís e Isabel da Paz. Jovem brilhante, com uma carreira universitária de mérito, tinha pouco mais de 20 anos quando foi enviado de Amesterdão para o Brasil Holandês, com as credenciais de rabi. Feito prisioneiro dos Portugueses, foi entregue ao tribunal da inquisição de Lisboa que o condenou à morte, sendo queimado na fogueira do auto de 3 de Janeiro de 1648. É considerado um dos grandes mártires do judaísmo e dos sefarditas. Rezam as crónicas que, com as chamas crepitando em redor, ele cantava o “Shemah” – Escuta Israel o Único deus – a profissão de fé judaica, espécie de Credo dos cristãos. O rabi Menasseh bem Israel sobre ele escreveu no seu livro “Mikveh Israel”, publicado em Amesterdão em 1650, o seguinte texto:
Isakk de Castro Tartas, meu conhecido, jovem inteligente,versado em literatura grega e latina, partiu para Pernambuco, não sei por que destino, e lá ficou prisioneiro dos Portugueses, como se estivesse cercado de lobos carnívoros.Enviaram-no a Lisboa onde foi tiranicamente encarcerado
e queimado vivo, na idade de 24 anos, não devido a alguma traição que cometesse, de vez que defendeu o lugar, como era obrigado a fazer, sob lei militar,como faz o nosso povo naquela província onde,devido a sua fidelidade, lhe são enfiadas as mais altas prisões.Mas quem podia imaginar que tal coisa acontecesse,porque ele se recusou a crer noutro deus senão naquele que criou o céu e a terra?!

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