quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 16
Francisco Lopes
Capadócia. Nasceu em
Vila Real, por 1600.Era ainda pequeno quando ficou órfão de mãe e o pai o levou
para Espanha, fixando-se em Medina de Rio Seco. Pelos 16 anos, Francisco foi
enviado para Lisboa, certamente a estagiar em alguma casa comercial de algum
parente ou sócio de negócios do pai. Por 1620 regressou a Espanha, dirigindo-se
para Madrid, onde tinha outros parentes bem colocados nos negócios e com a
categoria de rendeiros. Aliás, foi exactamente a trabalhar na cobrança das
rendas que em Madrid se empregou. Por 1630, regressou a Portugal e foi casar em
Portalegre, com Beatriz Mendes, envolvendo-se então nos arrendamentos do
Priorado do Crato. Deve ter feito bons investimentos pois regressou a Madrid
com bastante capital que utilizou emprestando a juros a particulares,
nomeadamente membros da nobreza em dificuldades financeiras. Meteu-se também
nos arrendamentos da Coroa, como fosse o fornecimento de géneros às tropas
estacionadas em Ceuta e Tanger, no Norte de África. Enquanto isso, tinham-lhe
nascido 2 filhos e 1 filha. Esta, de nome Joana, casou com Luís Fernandes, o
Pato, também de Vila Real, membros de uma poderosa família de marranos,
estabelecido em Madrid, também contratador de rendas. Em 1653 começou o
calvário para Francisco Lopes, ao ser preso pela inquisição de Valladolid. Saiu
reconciliado em 1655 mas, seguindo-se a prisão de seu filho Domingos e depois a
da filha Joana, acabou denunciado por eles e foi novamente preso. Acabou por
falecer na cadeia em Fevereiro de 1665.
António Júlio Andrade
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