sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 17
David Castro Tartas. Por 1620, sentindo-se perseguidos
pela inquisição, Cristóvão Luís de Castro e sua mulher Isabel da Paz,
abandonaram a casa em Bragança e meteram-se por Espanha fora, indo “pousar” em
Tartas, uma localidade próxima de Bayonne, à entrada de França. Ali lhe
nasceram vários filhos, posto o que seguiram para Amesterdão, cidade onde
aderiram abertamente ao judaísmo. Cristóvão tomou o nome de Abraão e Isabel o
de Sara. Ao filho mais velho deram o nome de David. E toda a família passou a
ser conhecida pelo sobrenome Tartas, exactamente por ali terem vivido. Logo que
chegou à idade de trabalhar, David Tartas empregou-se na tipografia do famoso
rabi Menasseh bem Israel, o líder religioso indiscutível da nação sefardita de
Amesterdão. Em 1660, David comprou a tipografia que, aliás, ele já vinha
dirigindo. E nela passaram a trabalhar também o seu irmão Jacob e o cunhado
Samuel Teixeira. E foi então que a tipografia ganhou o maior prestígio, ficando
conhecidas as suas edições do “Pentateuco” e dos “Sermões que pregaram os
Doctos Ingenios do KK do Talmud Torah”. Porém, a maior glória desta tipografia
foi alcançada com outra iniciativa – a impressão da “Gazeta de Amesterdão”
entre 1675 e 1690, o primeiro jornal de negócios do mundo, onde se davam
sobretudo informações sobre a chegada e partida de navios e cargas
transportadas, do Brasil, das Antilhas, da Índia, de Espanha…
António Júlio Andrade
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