domingo, 2 de dezembro de 2012

Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 25

Vila Flor- 1939
Francisco Vaz Eminente. Um dos mais antigos documentos de legislação aduaneira dá pelo nome de “Convénio de Eminente”. Foi promulgado em Espanha em 1680 e vigorou naquele e em outros países europeus que depois o seguiram, até finais do século seguinte. Respeitava este monumentos legislativo à cobrança dos impostos sobre certas mercadorias estrangeiras que entravam no país. Por detrás do nome, encontra-se o homem que o concebeu, um homem trasmontano, sefardita e marrano que foi grande em Espanha, ali desempenhando o cargo de “Contador de Honor dél Tribunal de Contaduria” – algo que, em termos actuais, em Portugal, podemos grosseiramente comparar a juiz do tribunal de contas. Eminente era a alcunha herdada da família, uma família que em Vila Flor seria isso mesmo: eminente. O nome era Francisco Vaz. Para além das suas actividades de rendeiro, “asientista” e “banqueiro” do rei de Espanha, sabemos que Francisco Vaz casou em Sevilha com Violante Ribeira, por 1653 e tendo ficado viúvo, casou de novo, em Madrid, com Josefa Salazar. Uma e outra pertenciam a ricas famílias de mercadores fugidos de Portugal por causa da inquisição. E em 1689, também o “Contador” Francisco Vaz Eminente foi preso pela inquisição de Madrid, com sequestro de seus bens, que eram imensos. Voltemos a Vila Flor para dizer que o primeiro que tomou a alcunha de Eminente foi também um Francisco Vaz (seu avô?), que ali nasceu por 1560 e ali faleceu antes de 1620. Foi casado com uma Isabel Pereira, a qual foi presa em 1638, contando já 84 anos de idade. Foi penitenciada em 1640 juntamente com duas filhas e uma nora, mulher do “Eminente Lopo Vaz” que também estagiou nas masmorras da inquisição de Coimbra entre 1620 e 1625.
António Júlio Andrade

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