quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 27


Francisco Lopes Pereira. Ao findar do mês de Fevereiro de 1651, mais de 100 pessoas foram presas em Mogadouro e levadas para as masmorras da inquisição de Coimbra. Um dos prisioneiros chamava-se Francisco Lopes Pereira. Contava uns 34 anos de idade e era casado com Maria Dias, que lhe dera já dois filhos (Gaspar e Manuel) e lhe haveria de dar uma filha – Beatriz. A estadia na cadeia foi relativamente curta, já que saiu penitenciado no auto de fé realizado em 14 de Abril de 1652.
Regressado a Mogadouro, Francisco Lopes Pereira viu um primo seu e muito amigo ser assassinado por andar metido em ilícitos amores com uma mulher casada que tinha o marido em Castela. E um irmão e um cunhado desta foram os autores do assassínio. Francisco Lopes jurou vingar-se e logo se meteu a caminho de Lisboa onde procurou advogados e requereu justiça. Decorreu o processo, sendo os autores julgados e condenados à morte, embora à revelia, pois que, entretanto, se tinham voltado a abalar para Castela. Com a sentença na mão, Francisco fez erguer na praça de Mogadouro uma forca e ali pendurar dois bonecos de palha, simulando os assassinos, ao menos para que a memória do crime perdurasse. E por muito tempo ali ficou a forca e os enforcados.
Depois disso, Francisco pegou na mulher e nos filhos e foi-se também para Castela, assentando em Madrid, no estanco do tabaco. E logo no ano seguinte arrematou o monopólio da venda do mesmo produto na região de Granada, conseguindo amealhar boa fortuna. E chegado aos anos de 1660, Francisco Lopes conseguiu mesmo arrematar a cobrança dos “Milhones”, as rendas reais, na dita região.
E quando tudo parecia correr da melhor maneira, Francisco e Maria foram presos pela inquisição. Particularmente interessante para se escrever a história desta família de marranos de Mogadouro é o processo de Maria Dias, nomeadamente as suas “contraditas”, que, anos depois, foram copiadas e enviadas para a inquisição de Lisboa e juntas ao processo de seu filho Gaspar. E assim ficamos a saber que com a ascensão económica, a família procurou também a promoção social, começando pela adopção de novos sobrenomes. Assim, ela passou a chamar-se D. Maria del Angel e os filhos passaram a nomear-se Gaspar de Aguilar e Manuel de Aguilar, enquanto a filha, nascida já em Espanha se dizia Beatriz del Angel e casava com D. Pedro Maldonado de Medina. Da descendência de Francisco será o famoso Barão de Aguilar.
António J. Andrade
 
 
 

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