quinta-feira, 8 de novembro de 2012
“Os Isidros – A Epopeia de uma Família de Cristãos-novos de Torre de Moncorvo”
António Júlio Andrade e Maria Fernanda Guimarães apresentam novo livro em Torre de Moncorvo
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
FREIXO DE NUMÃO - O DIA A DIA DO MERCADOR ANTÓNIO DIAS FERNANDES.Por: António Júlio Andrade
- Mariana Soares, casada com Manuel Rodrigues, natural de Freixo de
Numão, disse que, haverá 5 anos, por Janeiro ou Fevereiro de 1720, se achou em
casa de Brites Pinheiro, com ela e com o marido António Dias Fernandes e os
três se declararam seguidores da lei de Moisés… Verdade ou mentira que isto
aconteceu?
Este é o género de perguntas que
os inquisidores não faziam nunca. O réu é que tinha de adivinhar o sítio concreto,
as circunstâncias e o nome da testemunha. Por isso a pergunta a Dias Fernandes,
na mesa da inquisição de Lisboa, foi-lhe colocada nos seguintes termos:
- Em que lugar de Freixo de Numão e com que pessoas se achou há 5 anos
e se declararam seguidores da lei de Moisés?
Vamos transcrever a resposta, não pelo interesse que ela tem para a descoberta da verdade, mas pelo que ela revela sobre a vida deste mercador de Freixo de Numão que, no texto anterior, encontrámos a exportar aguardente para o Brasil e a Inglaterra a partir de uma destilaria em Alijó. Vejam:
Vamos transcrever a resposta, não pelo interesse que ela tem para a descoberta da verdade, mas pelo que ela revela sobre a vida deste mercador de Freixo de Numão que, no texto anterior, encontrámos a exportar aguardente para o Brasil e a Inglaterra a partir de uma destilaria em Alijó. Vejam:
- No dito tempo foi ele réu à feira de Mirandela que se faz a 3 de
Janeiro e dali foi para a Torre de D. Chama para assistir à feira que ali se
faz no dia 5 do dito mês. Dali foi para o trato da cidade de Chaves onde ele
réu tem uma comenda que se chama de S. Pedro da Veiga de Lila e por ter umas
cobranças a fazer (…) e se dilatou na cobrança até dia 13 de Janeiro no qual
dia se achou na feira de Murça de Panóias e desta foi para a feira de Vila Flor
que se faz aos 15 do dito mês de Janeiro. E assim mais, desta feira de Vila
Flor se partiu para a de Alfândega da Fé que é aos 17…
Não vamos continuar seguindo a
marcha de António Dias neste périplo pelas feiras da região naqueles dois
primeiros meses de 1720. Vamos antes ver outra culpa que lhe apontam como tendo
sucedido em freixo de Numão “há 3 anos e 5 meses” ou seja, em Março de 1722.
Vejam a sua defesa:
- É falso o que diz a testemunha porque ele réu partiu de sua casa a 3
de Fevereiro do dito ano para a feira de Mirandela que naquele mês foi a 4, dia
em que ajustou com Luís Bernardo de Morais Sarmento a jornada para virem ambos
a esta Corte de Lisboa a tomar juramento de corregedor de Pinhel, que está
servindo e na noite de 9 do dito mês se recolheu ele a sua casa onde esteve até
dia 11 em que partiu para Vila Flor e dali foi para Alfândega da Fé onde esteve
até dia 18 em que se recolheu a sua casa da qual partiu no dia 20 de Fevereiro
com o dito corregedor para esta Corte e no dia de S. Matias se dilatou ele réu
e mais companhia na cidade de Coimbra, para lançar em uma comenda do colégio de
S. Pedro, que se rematou no mesmo dia. E assim mais, a 1 de Março do dito ano
de 1722 chegou ele a esta Corte a vários negócios que nela tinha e juntamente
para rematar o assento do mantimento da gente da guerra na província da beira
que com efeito rematou e nesta Corte assistiu até meados do mês de Julho do
dito ano…
Escusado será dizer que de tudo
isto apresentou testemunhas. E não interessa aqui saber se ele, os denunciantes
e as testemunhas falavam ou não verdade. O importante é chamar a atenção para o
dia a dia deste mercador que tudo comprava e vendia e em qualquer parte
arrematava a cobrança de rendas ou o fornecimento de géneros às tropas,
negócios fabulosos, de muitos contos de réis. Vejamos ainda mais uma
contradita, defendendo-se de uma acusação que lhe fizeram e cuja cena se teria
passado na cidade do Porto, ao início de Junho de 1716:
- Ele réu não foi à cidade do Porto senão em 18.1.1716 onde entregou
uma parcela de dinheiro, de 3 000 cruzados a João Antunes Guimarães (…) e da
dita cidade partiu a 21 ou 22 do dito mês de Janeiro para esta de Lisboa, em
companhia do ilustríssimo bispo de Lamego, que encontrou no lugar do sardão e a
ela chegou no último dia do dito mês de Janeiro para haver de embarcar seu
filho António Dias Correia para o Rio de Janeiro (…) e aqui assistiu até 15 de
Abril do dito ano em que partiu para Freixo de Numão sem que fosse pela cidade
do porto e a maior parte da jornada a fez em companhia do chantre de Lamego de
quem se apartou na cidade de Coimbra. E à dita cidade do Porto não tornou senão
nos fins de Novembro de 1718, por notícia que teve de estar seu cunhado
Francisco Gabriel Pinheiro gravemente doente.
Como os leitores já terão percebido
estamos em presença de um homem de extrema importância, um grande e moderno
empresário. Contamos em próximos textos mostrar um pouco mais da dimensão das
suas empresas.
FONTE – ANTT, Inquisição de
Lisboa, pº 1437, de António Dias Fernandes
Este texto foi publicado no
jornal Terra Quente em 2012-11-01
Nota do editor: foto do pelourinho de Freixo de Numão em:http://fozcoajer.planetaclix.pt/index2.htm
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 19
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| Bragança, antigo Colégio dos Jesuítas |
Francisco Furtado de
Mendonça. Nasceu em
Bragança em 22 de Outubro de 1707, no seio de uma família cristã-nova com muita
história dos tribunais da inquisição. História que ele e seus irmãos e outros
mais parentes continuaram. O seu percurso académico começou em Bragança, no
Colégio dos Jesuítas, onde fez os estudos elementares, filosofia e latim. Rumou
a Coimbra em cuja universidade veio a licenciar-se em medicina. Regressou a
Bragança e ali exerceu a profissão, sendo considerado médico “dos de melhor
fama na cidade e vizinhança”, pelo que foi nomeado para “o partido da câmara e
das religiões de frades e freiras e dos mais particulares da cidade e
arrabaldes”. Mas foi como poeta cómico, autor e ensaiador de peças teatrais,
que ele mais se distinguiu. Tais peças eram representadas em casas
particulares, mas sobretudo nos conventos de frades e freiras que então existiam
em Bragança. Em Abril de 1747, quando já tinha vários livros publicados e o
nome inscrito nos manuais de história da literatura portuguesa, foi preso pela
inquisição de Coimbra onde permaneceu negativo por mais de um ano. Foi depois
transferido para Lisboa e ali resolveu-se a confessar que efectivamente fizera
cerimónias judaicas e seguira a lei de Moisés, mas que estava arrependido e
pedia perdão. Saiu condenado em penas espirituais no auto de fé de 16.11.1749.
António Júlio Andrade
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 18
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| Execução de condenados pela Inquisição, no Terreiro do Paço, em Lisboa (séc. XVIII) |
Isakk de Castro Tartas, meu conhecido, jovem inteligente,versado em literatura grega e latina, partiu para Pernambuco,
não sei por que destino, e lá ficou prisioneiro dos
Portugueses, como se estivesse cercado de lobos carnívoros.Enviaram-no a Lisboa onde foi tiranicamente encarcerado
e queimado vivo, na idade de 24 anos, não devido a alguma traição que cometesse, de vez que defendeu o lugar, como era obrigado a fazer, sob lei militar,como faz o nosso povo naquela província onde,devido a sua fidelidade, lhe são enfiadas as mais altas
prisões.Mas quem podia imaginar que tal coisa acontecesse,porque ele se recusou a crer noutro deus senão naquele que criou o céu e a terra?!
sábado, 3 de novembro de 2012
BELMONTE - Antiga casa de cristãos-novos
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| Turismo religioso- Registos sefarditas. |
A comunidade de Belmonte abriga um importante facto da história judaica sefardita, relacionado com a resistência dos judeus à intolerância religiosa na Península Ibérica.
No século XVI, aquando da expulsão dos mouros da Península Ibérica, e da reconquista das terras espanholas e portuguesas pelos Reis católicos e por D. Manuel, foi instaurada uma lei que obrigava os judeus portugueses converterem-se ou a deixarem o país.
Muitos deles acabaram abandonando Portugal, por medo de represálias da Inquisição. Outros converteram-se ao cristianismo em termos oficiais, mantendo o seu culto e tradições culturais no âmbito familiar.
Um terceiro grupo de judeus, porém, tomou uma medida mais extrema. Vários decidiram isolar-se do mundo exterior, cortando o contacto com o resto do país e seguindo suas tradições à risca. Tais pessoas foram chamadas de "marranos", numa alusão à proibição ritual de comer carne de porco. Durante séculos os marranos de Belmonte mantiveram as suas tradições judaicas quase intactas, tornando-se um caso excepcional de comunidade criptojudaica. Somente nos anos 70 a comunidade estabeleceu contacto com os judeus de Israel e oficializou o judaísmo como sua religião.
Em 2005 foi inaugurado na cidade o Museu Judaico de Belmonte, o primeiro do género em Portugal, que mostra as tradições e o dia-a-dia dessa comunidade.
Mais de 200 anos nas cadeias do Santo Ofício
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| Os Iidros, a epopeia de uma família de cristãos-novos de Torre de Moncorvo – Editora Lema d´Origem |
A
história da família Isidro, de Torre de Moncorvo, acompanha praticamente toda a
história da inquisição portuguesa. Durante mais de 200 anos, desde que a
inquisição foi criada, em 1536, até que acabou a distinção entre cristãos-novos
e cristãos-velhos, em 1773, elementos desta família estiveram presos nos seus
cárceres. Ao longo de gerações e gerações, a “herança” marrana foi passando de
pais a filhos, como se um destino implacável os conduzisse ao cativeiro.
Dezenas
de processos das inquisições de Lisboa e Coimbra se encontram no Arquivo
Nacional da Torre do Tombo documentando a aventura desta gente, processos que
os autores estudaram e serviram de base a este trabalho.
Mas
houve também muitos membros desta família que foram processados pela Inquisição
espanhola. Por dificuldades financeiras, estes processos não puderam os autores
estudá-los, embora gostassem muito de o fazer. Esperamos que alguém o faça.
E
há também uma história fantástica desta família de que se conhecem apenas
alguns episódios, mas que merecia ser bem investigada, a qual se desenrolou um
pouco por todo o mundo, acompanhando as rotas migratórias, a expansão marítima
dos povos europeus e a implantação de colónias e feitorias comerciais à
escala mundial. Conhecem-se membros
desta família que foram respeitáveis líderes religiosos ou destacados
mercadores e banqueiros em comunidades sefarditas do norte da Europa ou das
Américas.
Vasco
Pires, o do Castelo, nascido nos primeiros anos do século de 500, pertenceu à
primeira geração de cristãos-novos, os que foram homens antes de a Inquisição
ser instituída em Portugal, a geração dos filhos dos judeus que o rei D. Manuel
ordenou que fossem metidos nas igrejas e baptizados à força. No seu processo
reflectem-se todas as dúvidas religiosas, as angústias morais, os medos e os
fantasmas do “tempo em que os cristãos-novos andavam alevantados para se irem deste reino por medo da inquisição”. E
mostra as dificuldades de integração na comunidade cristã da gente que, como
ele, “era judeu em seu coração” mas que ia às missas “à igreja da sua
freguesia, à misericórdia e ao esprital”.
Vasco Pires poderia não inspirar confiança em matéria de fé, mas os seus
concidadãos e as autoridades religiosas de Torre de Moncorvo confiavam nele
pois o elegeram para recebedor e depositário dos dinheiros recolhidos para a
construção da Casa da Misericórdia. E aqui está um ponto que merece especial
destaque: a importância dos processos da inquisição para o estudo da história
local e regional.
A
prisão de Vasco Pires foi, no entanto, precedida da de seu filho Gabriel Pires
e de sua mulher Francisca Fernandes e esta terá sido a primeira vítima mortal
da inquisição, entre os moncorvenses.
Vasco
Pires Isidro e seu irmão Manuel Rodrigues Isidro foram netos daquele primeiro
Vasco. Com outros seus parentes, eles criaram uma poderosa rede comercial que
se estendia de Torre de Moncorvo ao Porto, a Madrid, a Ruão, Amesterdão e
Hamburgo. Vasco foi preso em Madrid pela inquisição espanhola e Manuel passou 5
anos nas cadeias da inquisição de Coimbra e foi depois refazer sua vida para a
Flandres e para Hamburgo. O seu processo constitui um documento extraordinário
para o estudo da vida política e social da comunidade moncorvense do primeiro
quartel do século XVII.Manuel
Rodrigues Isidro se chamou também um sobrinho daqueles, ao qual coube liderar a
delegação do Porto e manter acesa a chama do marranismo na geração seguinte.
Morreu ao fim de um prolongado jejum, ou greve de fome, nas masmorras da
inquisição de Lisboa, em 1660. Merece bem o título de mártir do judaísmo em
Torre de Moncorvo.Presa
esteve também a sua irmã – Branca Henriques – e seu cunhado – Heitor Mendes –
também um mártir do judaísmo, queimado em Coimbra no auto-de-fé de 20.10.1664.
Estes três processos são extremamente importantes para o estudo da sociedade
mercantil portuense daquela época e sua participação na restauração da
independência do país.
Da
geração que se seguiu, temos o processo de Francisco Ferreira Isidro que se
encontrou no combate das Linhas de Elvas com o posto de capitão a comandar duas
companhias de ordenanças recrutadas em terras de Riba Côa.
Lamentamos
não poder seguir o rumo dos membros da família Isidro que entretanto embarcaram
para as Índias de Portugal e de Castela, bem como dos que permaneceram em
Espanha. De um destes – Dom Luís Marques Cardoso – sabemos que esteve preso na
inquisição de Toledo em 1663 e, 40 anos depois, tendo regressado a Portugal,
foi processado pela inquisição de Lisboa, juntamente com sua filha – D. Maria
Marques de Velasco. Estes dois processos são terrivelmente infamantes para o
Santo Ofício, com os inquisidores a manobrarem crianças inocentes e a violar o
segredo da confissão para delas conseguirem provas que incriminassem a mãe e o
avô.Estamos
já no século de 700, altura em que se descobriram minas de ouro no Brasil e,
entre os fundadores da vila de Ribeirão do Carmo, a primeira capital da região
de Minas Gerais, encontrava-se um outro Francisco Ferreira Isidro, neto do capitão
de ordenanças das Linhas de Elvas. Com ele foi ali ter um sobrinho – Luís Vaz
de Oliveira – saído de Freixo de Espada à Cinta com menos de 9 anos de idade,
para empunhar o ceptro dos Isidros em terras brasileiras.
Apresentamos
depois o processo de um Francisco Ferreira Sanches Isidro, irmão de Luís Vaz,
que aos 15 anos foi de “excursão” a Londres, fazendo várias entradas na
sinagoga da City que então começava a ganhar foros de capital mundial do
judaísmo, a par de Amesterdão.
E
foi de Londres que saiu para os Barbados, uma das pequenas Antilhas da América
Central, Abraham Gabay Isidro que ali se distinguiu como chefe espiritual da
comunidade sefardita, regressando a Londres para morrer.
António Júlio Andrade
Fernanda Guimarães
Trabalhos dos autores:
Caminhos Nordestinos de Judeus e Marranos – página do Jornal
Terra Quente de Mirandela desde
15-04-1999 e que continua.
Bragança a Rota dos Judeus – Jornal A Voz do
Nordeste, 11.03.2010 e seguintes.
Poderá a Fenix Renascer? Contributo para
definição de uma “Rota de Judeus” no
Nordeste Transmontano – Tese apresentada
ao III Congresso Transmontano – Bragança- 2002
O Dr. Francisco da Fonseca Henriques e a sua
família na Inquisição de Lisboa - Brigantia – Revista de Cultura – Volume de
homenagem ao Dr. Belarmino Afonso – 2006.
Subsídios para a História da Inquisição de
Torre de Moncorvo
– Câmara Municipal de Torre de Moncorvo 2007.
Os Távoras e os cristãos-novos no progresso
de Mirandela - Actas da IX Jornadas Culturais de Balsamão - Centro Cultural de Balsamão
2007.
Carção – Capital do Marranismo – Edição da
Associação Cultural dos Almocreves de Carção – Associação CARAmigo – Junta
freguesia de Carção – Câmara Municipal de Vimioso – 2008.
Contribuição dos judeus e cristãos-novos no
progresso de Vila Flor – Retalhos da História de Vila Flor – XI Jornadas Culturais de Balsamão – 4 de Outubro de 2008.
A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de
Lisboa
– Editora Nova Veja – Lisboa – Câmara Municipal de Mogadouro – 2009.
Jorge Lopes Henriques de Carção e alguns familiares processados
pela Inquisição.
– Revista Almocreve - Edição da
Associação Cultural dos Almocreves de Carção 2009.
Entre a Sede da Inquisição e o Convento das
Portas do Céu de Telheiras – Cadernos Culturais de Telheiras , 2.ª série, n.º2
Novembro de 2009.
Jacob de Castro Sarmento – Editora Nova
Veja – Câmara Municipal de Bragança - 2010
Tefillah cotidiano – Um caderno de Orações
marranas - Cadernos
Culturais de Telheiras , 2.ª série, n.º 2 Novembro de 2010.
A aguardar publicação:
Os Marranos em
Sambade – Alfândega da Fé.
Os Almeida Castro - Uma família de
cristãos-novos de Izeda.
Quintela de Lampaças - Uma missa judaica.
Vimioso anos de 1650 – Uma rede de
passadores de judeus desmantelada
pela Inquisição de Coimbra – II
Jornadas de História Local – Câmara Municipal de Vimioso – Maio de 2009.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
OS ISIDROS - Amanhã na Biblioteca de Torre de Moncorvo
Excerto do livro:
Caíram sobre ele às estocadas
mesmo à porta se sua casa, sita ao fundo da rua dos Sapateiros, na vila de
Torre de Moncorvo. Eram três contra um e, embora valente e destemido, nada mais
pôde fazer do que aparar com a espada as primeiras estocadas e rapidamente
meter-se em casa cuja porta a mulher lhe abrira e ainda mais depressa fechou,
atrás dele. Da mão esquerda escorria sangue, que lhe abriram um lenho bem fundo
e no chão da rua ficou o dedo mindinho, que lho cortaram com uma espadeirada. Antes
de prosseguirmos, convirá que apresentemos os contendores:
De um lado, Manuel Rodrigues
Isidro, 24 anos, cristão-novo, comerciante e rendeiro, certamente o homem mais
endinheirado da terra, um exportador e importador que anualmente pagava mais de
100 mil reis de impostos alfandegários e contava com a protecção de D.
Francisca de Aragão, uma das damas de mais consideradas e influentes na Corte
de Madrid.Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 17
David Castro Tartas. Por 1620, sentindo-se perseguidos
pela inquisição, Cristóvão Luís de Castro e sua mulher Isabel da Paz,
abandonaram a casa em Bragança e meteram-se por Espanha fora, indo “pousar” em
Tartas, uma localidade próxima de Bayonne, à entrada de França. Ali lhe
nasceram vários filhos, posto o que seguiram para Amesterdão, cidade onde
aderiram abertamente ao judaísmo. Cristóvão tomou o nome de Abraão e Isabel o
de Sara. Ao filho mais velho deram o nome de David. E toda a família passou a
ser conhecida pelo sobrenome Tartas, exactamente por ali terem vivido. Logo que
chegou à idade de trabalhar, David Tartas empregou-se na tipografia do famoso
rabi Menasseh bem Israel, o líder religioso indiscutível da nação sefardita de
Amesterdão. Em 1660, David comprou a tipografia que, aliás, ele já vinha
dirigindo. E nela passaram a trabalhar também o seu irmão Jacob e o cunhado
Samuel Teixeira. E foi então que a tipografia ganhou o maior prestígio, ficando
conhecidas as suas edições do “Pentateuco” e dos “Sermões que pregaram os
Doctos Ingenios do KK do Talmud Torah”. Porém, a maior glória desta tipografia
foi alcançada com outra iniciativa – a impressão da “Gazeta de Amesterdão”
entre 1675 e 1690, o primeiro jornal de negócios do mundo, onde se davam
sobretudo informações sobre a chegada e partida de navios e cargas
transportadas, do Brasil, das Antilhas, da Índia, de Espanha…
António Júlio Andrade
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Judiarias de Portugal no final do século XV
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| Moncorvo. Uma sinagoga funcionou até então numa casa particular junto à Igreja Matriz. |
Bragança. No século XIII já existia aqui uma importante
comunidade de judeus. A Inquisição fez na região, durante quase três séculos,
uma verdadeira matança.
- Argozelo, - Carção, Freixo de Espada à Cinta-Miranda do Douro,- Mogadouro, Rio Frio-
Torre de Moncorvo. O
cripto-judaísmo manteve aqui bem vivo até 1929. Uma sinagoga, funcionou até
então numa casa particular junto à Igreja Matriz.-Vilarinho dos Galegos,- Vila Flor
Vila Real
- Chaves, Mirandela, Rio Livre
In "Judiarias de Portugal" - Carlos Fontes
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 16
Francisco Lopes
Capadócia. Nasceu em
Vila Real, por 1600.Era ainda pequeno quando ficou órfão de mãe e o pai o levou
para Espanha, fixando-se em Medina de Rio Seco. Pelos 16 anos, Francisco foi
enviado para Lisboa, certamente a estagiar em alguma casa comercial de algum
parente ou sócio de negócios do pai. Por 1620 regressou a Espanha, dirigindo-se
para Madrid, onde tinha outros parentes bem colocados nos negócios e com a
categoria de rendeiros. Aliás, foi exactamente a trabalhar na cobrança das
rendas que em Madrid se empregou. Por 1630, regressou a Portugal e foi casar em
Portalegre, com Beatriz Mendes, envolvendo-se então nos arrendamentos do
Priorado do Crato. Deve ter feito bons investimentos pois regressou a Madrid
com bastante capital que utilizou emprestando a juros a particulares,
nomeadamente membros da nobreza em dificuldades financeiras. Meteu-se também
nos arrendamentos da Coroa, como fosse o fornecimento de géneros às tropas
estacionadas em Ceuta e Tanger, no Norte de África. Enquanto isso, tinham-lhe
nascido 2 filhos e 1 filha. Esta, de nome Joana, casou com Luís Fernandes, o
Pato, também de Vila Real, membros de uma poderosa família de marranos,
estabelecido em Madrid, também contratador de rendas. Em 1653 começou o
calvário para Francisco Lopes, ao ser preso pela inquisição de Valladolid. Saiu
reconciliado em 1655 mas, seguindo-se a prisão de seu filho Domingos e depois a
da filha Joana, acabou denunciado por eles e foi novamente preso. Acabou por
falecer na cadeia em Fevereiro de 1665.
António Júlio Andrade
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Marranos de Lagoaça no Tribunal da Inquisição
Por: António J. Andrade
Maria F. Guimarães
Maria F. Guimarães
-
Próximo da minha terra natal há uma povoação – Lagoaça – onde as famílias
indicadas por judias são numerosas e formam o grosso da população,
considerando-se, desde tempos imemoriais, separadas de qualquer consanguinidade
ou afinidade com a outra parte, que é especialmente agrícola e mesteiral,
enquanto aquela se dedica ao comércio quase absolutamente e, até há poucos
anos, exclusivamente às recovagens e ao contrabando; afastados completamente da
vida pública, em que nem tentavam intrometer-se, com costumes e usos muito
diferentes dos do resto da população, com a qual porém se confundiam nas
práticas externas do catolicismo.
Estas palavras escreveu, por 1879, o Dr. Bernardo
Teixeira Leite Velho, de Mogadouro, em umas notas que deixou manuscritas e de
que o Dr. Casimiro Henriques de Moraes Machado publicou alguns excertos. [1]
Muitas referências foram também feitas pelo
Abade de Baçal aos criptojudeus de Lagoaça, assim retratados:
-
Diz-nos o ilustre abade de Carviçais que o tipo de judeu do sul do distrito é
sardento, olhos penetrantes, nariz adunco e que são chamados Cházaros em
Lagoaça.[2]
No mesmo volume, página LX, das suas
memórias, acrescenta:
-
Segundo me informa o erudito abade de Carviçais José Augusto Tavares, também no
sul do distrito de Bragança, principalmente nas povoações de Lagoaça e
Vilarinho dos Galegos, há abafadores, que são conhecidos pelo nome de
encalcadores e ainda massagistas.
Esta informação tem despertado muita
controvérsia, sobretudo depois da publicação do conto de Miguel Torga – O Alma Grande – descrevendo a morte
provocada de um moribundo, por asfixia. A verdade é que, nunca se provou tal
prática e o comportamento das famílias marranas perante os seus moribundos
seria idêntico ao das famílias católicas: prestar-lhes assistência e dar-lhe o
conforto espiritual para bem morrer, na graça de Deus.
Diz uma tradição popular que os judeus
expulsos de Espanha, que atravessaram a fronteira por Miranda do Douro,
seguiram três destinos diferentes: os mais pobres, que vinham a pé, ficaram-se
por Carção e Argoselo, os que eram remediados e vinham de burro, seguiram para
as terras de Mogadouro e Vilarinho dos Galegos, enquanto os mais ricos, donos
de possantes machos e mulas, se foram fixar em Lagoaça. De contrário, refere-se
outra tradição dizendo que a terra de fixação dos judeus ricos era Freixo de
Espada à Cinta e que para Lagoaça foram os judeus pobres.
Certamente que nenhuma das afirmações
encerra toda a verdade, até porque a principal característica da gente da nação
hebreia era exactamente a sua permanente mobilidade e o estabelecimento de
redes comerciais familiares descentralizadas. Estavam onde podiam estar e
aproveitavam todas as oportunidades que lhe eram proporcionadas. Como quer que
seja, são indiscutíveis as tradições judaicas e marranas de Lagoaça e há um
rifão popular que diz:
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 15
Francisco Fonseca
Henriques. Ficou
mais conhecido pelo nome de Dr. Mirandela, herdado da terra onde viu a luz, no
ano de 1665. Formado pela universidade de Coimbra, foi um dos médicos
portugueses mais famosos de todos os tempos. O seu livro – “Medicina Lusitana”
– impresso em Amesterdão, em 1710, foi por mais de um século uma espécie de
bíblia e receituário de medicina em Portugal, com reedições sucessivas. Outra
obra de muito interesse e mesmo de actualidade, é o seu “Aquilégio Medicinal”,
publicado em 1726, em Lisboa. Trata-se do primeiro inventário feito de norte a
sul de Portugal das “águas de caldas, de fontes, rios, poços, lagoas e
cisternas”, com vista à sua catalogação química e uso no tratamento das diferentes
doenças, ou prevenção das mesmas e conservação da saúde. Sim, que o Dr.
Mirandela foi exactamente revolucionário nesse sentido: adepto e apoiante do
termalismo e decidido defensor da medicina preventiva. E pleno de actualidade é
o terceiro livro deste médico Trasmontano, que eu gosto muito de apresentar:
“Ancora Medicinal para conservar a vida com saúde – os segredos da nutrição”.
Foi impresso em Lisboa em 1721, com 2 reedições em 1731 (ano da sua morte) e
outras em 1740 e 1754 e… “por ser o mais conhecido guia da alimentação e
conservação da saúde” e porque “tem agora mais actualidade do que nunca”, foi
reeditado no ano 2000. Esta obra permite que consideremos o Dr. Mirandela como
o primeiro grande médico nutricionista assumido em Portugal. E as suas preocupações
com a qualidade do ar que respiramos, farão dele um pioneiro dos
ambientalistas. Sobre o assunto, melhor fala a apresentação escrita por ele
próprio no seu livro. Vejam apenas este excerto: - Quem respirar bons ares;
quem com moderação e prudência usar de bons alimentos; quem dormir com sossego
as horas que bastem; quem fizer exercício como deve; quem trouxer a natureza
bem regulada nas suas evacuações; e quem não tiver paixões que lhe alterem a
harmonia dos humores: não pode deixar de ter boa saúde, ou ao menos, não terá
tantas ocasiões de a perder. O Dr. Mirandela era de ascendência hebreia e a
história de seus ancestrais nos cárceres da inquisição é longa. Como também a
de seus tios, irmãos, sobrinhos e primos. Ele, felizmente, parece não ter sido
perseguido. E nisso terá valido a protecção do rei D. João V, de quem ele era
médico oficial. Sobre seus descendentes, diremos que teve um filho médico que
fez carreira em Itália e várias filhas, que todas elas foram metidas em
Recolhimento de freiras. A casa onde ele nasceu, na aldeia de Carvalhais, na
proximidade de Mirandela, aguentou-se até há bem poucos anos, tendo sofrido
obras de remodelação. Outras gerações de trasmontanos tiveram a lembrança de lá
colocar uma placa alusiva. Não sei se ainda lá se encontra.
António Júlia Andrade
domingo, 28 de outubro de 2012
CARÇÃO APRESENTAÇÃO I- UMA HISTÓRIA DE RESITÊNCIA À INQUISIÇÃO
Carção é uma aldeia do concelho de Vimioso,
no mais profundo Trás-os-Montes, afastada das rotas comerciais e turísticas.
Seus habitantes, porém, sempre tiveram arte e engenho para quebrar o isolamento
da terra e sair a mercadejar por toda a parte. Sobre eles escreveu, há cerca de
um século, o douto Abade de Baçal:
- Percorrem o distrito de Bragança com
venda ambulante de bacalhau, arroz, azeite e outros géneros, comprando ao mesmo
tempo peles ovinas, bovinas e caprinas (…) Encontram-se estabelecidos nos
povoados principais, aldeias ricas e férteis do reino, colónias e até do
estrangeiro, onde entram à formiga, sem eira nem beira, nem ramo de figueira,
apenas com dois centos de sardinhas em cima de um burro podre e dentro de uma
dúzia de anos chegam a preponderar pela fortuna adquirida no negócio. [1]
Muito semelhante é o retrato feito por
outros historiadores, literatos e etnólogos que escreveram sobre o génio
mercantil e empreendedor das gentes de Carção. E todos associam esta qualidade
à sua herança judaica. Leite de Vasconcelos, por exemplo, usou estas palavras:
- A gente de estirpe judaica destas últimas
povoações (Carção e Argozelo) vivia, até há pouco, sobretudo do comércio e da
indústria dos curtumes. Com suas mulas de carga, era vê-los de casa em casa de
terra em terra a vender bacalhau, arroz e azeite e outros géneros alimentícios
ou a ajustar as peles para o fornecimento da sua indústria. Dizia-se até que a
um judeu de Carção ou Argozelo nada mais faltava para fazer fortuna do que uma
libra e uma mula. E, a respeito dos de Carção, que, quando nascia algum, logo
nascia uma mula, tão habitual era neles a ocupação de almocreves e recoveiros. [2]
Trindade Coelho, famoso escritor de
Mogadouro, esse ia mais longe escrevendo:
- Nos meus sítios, a mula como meio de
locomoção é quase exclusiva dos judeus. Por isso já dizia em Cortes, in illo tempore, um deputado trasmontano
– que de 10 em 10 anos se deveria confiscar toda a fortuna aos judeus, e deixar
só, a cada um, uma mula e 10 moedas. Daí a 10 anos voltavam outra vez a estar
ricos, e ia-se-lhes para cima com novo confisco.[3]
Nos últimos 150 anos, com a abertura das
modernas estradas e linhas de caminho de ferro, houve um particular movimento
migratório das gentes de Carção para a nossa vila e depois para a cidade de
Macedo de Cavaleiros que conheceu um progresso notável, absorvendo vários
concelhos da região. E esse movimento migratório foi registado pelo nosso povo
na seguinte quadra:
Para cá do Marão
Mandam os que cá
estão;
Mas em Macedo
Mandam os de
Carção.
Vindos dos lados da
Arábia
E de balança na mão
Vieram os de Carção
Que com grande
lábia
Invadiram a Estação
[4]
De certo aquela é uma herança judaica e
marrana, uma herança que as gentes de Carção souberam preservar. E é fantástico
que eles tenham perseverado em sua crença na lei mosaica apesar de todas as
perseguições inquisitoriais e eclesiásticas. Vejam, a propósito, o que o pároco
de Carção dizia em carta de 2.6.1852, para o bispo de Bragança:
- Neste povo grassa desde tempo imemorial
uma seita que em tempo da Inquisição era muito oculto, mas de 34 (1834) a esta
parte é isso muito divulgado, quero dizer que não se escondem os sectários como
outrora; assim há muita gente, que pelo menos in confuso sabem disso … O erro é
a seita, ou Lei Mosaica. [5]
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 14
![]() |
| Apresentação do livro será no próximo dia 3 de Novembro em Torre de Moncorvo |
António Júlio Andrade
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Nós Trasmontanos Sefarditas e marranos – 13
![]() |
| Aldeia de Sambade - 2012 |
António Rodrigues
Mogadouro. Uma das
irmãs de Manuel Fernandes Vila Real chamou-se Isabel Henriques e foi casada com
António Rodrigues Mogadouro. A este, o sobrenome ficou-lhe da terra onde terá
nascido ou passado a infância, pois que o filho mais velho indicou a aldeia de
Sambade como a terra natal de seu pai. Mogadouro e Sambade eram então duas terras relativamente
próximas e complementares, na medida em que Mogadouro produzia muitas lãs e
Sambade era o grande centro da indústria têxtil do Nordeste Trasmontano.
Nascido por volta do ano de 1598, António Rodrigues cedo começou a viajar e a
mercadejar por terras de Castela onde tinha cópia de familiares, nomeadamente
em Madrid, cidade pujante em termos de construção civil e seu tio António
Álvares dominava a produção e venda de tijolos (“ladrillos”). Madrid era então
a jovem capital de Espanha unificada e a função pública ganhava respeito e
dignidade. E António tinha dois primos empregados em organismos do Estado,
altos funcionários, como hoje se diria. Facto é que, aos 22 anos, ele decidiu
fixar-se em Madrid, ali permanecendo por 5 anos. Regressou a Trás-os-Montes e
foi casar a Vila Real, com Maria Lopes, a qual faleceu pouco depois, sem lhe
dar descendência. Voltou a Madrid mas… em 1933 regressou definitivamente a
Portugal, estabelecendo-se em Lisboa, com casa de comércio, na Rua das Mudas. E
logo voltou a casar, com Isabel Henriques, como atrás se disse. Poucos anos
depois, aquando da revolução de 1640, já a casa comercial do Mogadouro tinha
nome, a ponto de “ganhar o concurso” para o fornecimento de géneros aos
exércitos estacionados em Trás-os-Montes. Certamente ajudaram nisso as relações
com a família dos Távoras, senhores de Mogadouro e com o Conde de castelo
melhor que naquela mesma família estava casado. E ainda mais ajudariam seus
numerosos irmãos e irmãs estabelecidos por Mogadouro, Sambade, Chacim, Miranda
do Douro… todos trabalhando em rede. E em rede trabalhava com outros irmãos,
primos e sobrinhos que ele tinha em Madrid, Bordéus, Livorno… Em simultâneo
cresciam os filhos e com estes metidos na empresa desde cedo, alargavam-se os
negócios, em termos geográficos e na diversificação de produtos comerciados:
especiarias e diamantes da Índia, escravos de Angola, açúcar e tabaco do
Brasil, sal, vinho e azeite de Portugal, tecidos e metais do Norte da Europa…
Entretanto o poder político mudou de mãos, com o rei Afonso VI a ser
encarcerado e a ver a mulher casar-se com o irmão Pedro, este aclamado rei nas
Cortes Gerais da Nação cujos membros eram na grande maioria Familiares da
Inquisição. E com o “partido da inquisição” a tomar as rédeas do poder, as
primeiras vítimas foram, naturalmente, os mercadores marranos apoiantes do
regime e que, respondendo ao apelo do padre António Vieira, entraram com seus
capitais na fundação da Companhia das Índias. E assim António Rodrigues
Mogadouro foi preso em 29 de Julho de 1672, juntamente com os dois filhos
varões mais velhos, seguindo-se os outros todos, à excepção de uma filha casada
com o primo Diogo Rodrigues Marques que conseguiu fugir para Inglaterra. Ao
cabo de 7 anos o velho patriarca morreu na cadeia. Mas o seu processo na
inquisição não terminou. Apenas foi encerrado no auto de fé de 26.11.1684, em
que os seus ossos foram desenterrados, metidos em um caixão e queimados na
fogueira, juntamente com um boneco de palha que o representava. Na cadeia
também morreram duas filhas, uma delas pouco depois de ser presa e lavando um
filho no ventre prestes a nascer e que também morreu. O filho mais velho,
António Rodrigues Henriques, que à data da prisão era já o gestor executivo das
empresas Mogadouro, esse foi queimado vivo no auto de fé de 10.5.1682. No mesmo
auto saiu penitenciada a filha mais nova, Brites Henriques e os filhos
Francisco e Pantaleão. Este acabaria por reconstruir a sua vida e, anos depois,
aparecia em Lodres como um dos 5 líderes da comunidade judaica que assinaram o
contrato para construção da sinagoga de Bevis Marks.
António Júlio Andrade
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Belmonte - Loja KOSHER
A Portugal Kosher, em
Belmonte, na pessoa do Rabino Elisha Salas, é o representante em Portugal da
UNION ORTODOXA, STAR - K (Estados Unidos, Canadá e Israel) e CHATAM SOFER
(Estados Unidos, Canadá e Israel), organizações cuja Certificação é reconhecida
mundialmente junto de toda a comunidade judaica.Visite o site:
http://www.kosherportugal.com/p/kosher-produzidos-em-portugal-com-selo.html
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A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de Lisboa
Editora: Vega
Autor: António Júlio de Andrade e Maria Fernanda Guimarães
Disponibilidade: Em stock
Preço: 14,15€
A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de Lisboa, segundo número da colecção SEFARAD, tem como base uma investigação profunda de umcorpus de processos na Inquisição de Lisboa. Através desses processos, os autores reconstituíram a história da família Mogadouro, proprietária da Nau Jerusalém, que se ocupava predominantemente do transporte de judeus portugueses que fugiam da Inquisição e de judeus que vinham de Itália para Portugal disfarçados de comerciantes. À excepção de uma filha que era casada, todos os membros do clã dos Mogadouro conheceram, em simultâneo, os horrores das cadeias da Inquisição de Lisboa.
O próprio jogo vocabular do título mostra-nos toda a dimensão de perversão com que o devir dos tempos conseguiu brindar certas comunidades: A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de Lisboa, isto é, de como uma comunidade rica da periferia foi perseguida por um tribunal instalado na capital.
O próprio jogo vocabular do título mostra-nos toda a dimensão de perversão com que o devir dos tempos conseguiu brindar certas comunidades: A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de Lisboa, isto é, de como uma comunidade rica da periferia foi perseguida por um tribunal instalado na capital.
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