terça-feira, 10 de agosto de 2010
-Retalhos da História de Vila Flor -VI
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Antes do Santo ofício
D. Afonso V concede carta de contrato a Ben Venyste Piecho, judeu, mercador, morador em Torre de Moncorvo.
Datas 1455-03-20
Localização física Chancelaria de D. Afonso V, liv. 15, fl. 156
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
-Retalhos da História de Vila Flor V
Tinha-se o sol já posto e a noite começava a cerrar-se sobre Vila Flor, naquele dia primeiro de Setembro de 1644. O tempo mantinha-se morno e, apesar do escuro, muitos moradores seroavam na rua, sentados nos poiais e soleiras das portas.terça-feira, 3 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
-Retalhos da História de Vila Flor IV
Acaso receando tempestade, no seguimento da prisão de seu filho Diogo, Julião Henriques começou a vender alguns dos numerosos bens imobiliários, espalhando-se a notícia de que ele se preparava para fugir para o estrangeiro. E então, Lopo machado e outros esbirros da Inquisição e inimigos daquele, terão convencido o vigário geral da comarca para que, em nome da Mesa do Paço de Braga, ordenasse a sua prisão na cadeia da comarca, ao mesmo tempo que se mandava relatório para a Inquisição de Coimbra, redigindo-se o competente sumário da prisão. O próprio vigário, depois de o ter preso, escrevia para Coimbra:quinta-feira, 29 de julho de 2010
-Cátedra de Estudos Sefarditas
http://marranosemtrasosmontes.blogspot.com/
Em destaque neste blog, entre muitos outros artigos de interesse, o Prefácio de Carla Vieira ao livro «Jacob de Castro Sarmento» de Maria Fernanda Guimarães e António Júlio Andrade.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
-Retalhos da História de Vila Flor III
António Júlio Andrade
Fernanda Guimães
3 – IANTT, Inquisição de Coimbra, processo1841, de Isabel pereira, processo.
Genebra Henriques (processo 21843) era casada com Diogo da Mesquita Munhós que então estava também preso na cadeia da Inquisição de Coimbra (processo 7067).
4 – IANTT, Inquisição de Coimbra, processo 2174, de Eva Pereira
5 – IANTT, Inquisição de Coimbra, processo 6105, de Brites Gomes.
terça-feira, 27 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Retalhos da História de Vila Flor
AS FAMÍLIAS HENRIQUES JULIÃO E LOPO MACHADO NA INQUISIÇÃO DE COIMBRA.
QUESTÃO RELIGIOSA OU LUTA POLÍTICA?
II - JULIÃO HENRIQUES, MÉDICO EM VILA FLOR
Julião Henriques pode ser considerado o patriarca de uma importante família de cristãos-novos de Vila Flor cujos membros forneceram fartura de carne aos inquisidores - para usar uma expressão que terá ganho foros de escândalo entre alguns cardeais da Cúria de Roma horrorizados com as notícias de abusos que lhe chegavam praticados pela Inquisição espanhola e preocupados com a determinação e teimosia do rei D. João III no estabelecimento do tribunal do Santo ofício em Portugal. (1)
Da sua biografia pouco sabemos. Apenas o nome de seus pais e irmãos e que era casado com Branca Coutinho, filha de Leonel Fernandes, rendeiro, que foi preso pela Inquisição de Coimbra em 1558 (2)
De seus filhos, muito haverá que dizer, especialmente de Pêro Henriques Julião que casou em Torre de Moncorvo com Francisca Vaz e ambos tiveram hospedagem nas masmorras do Santo Ofício. Ele era, de certeza, um dos homens mais ricos e mais considerados da região trasmontana e só assim se compreende que fosse escolhido pelo “governo da comarca” (corregedor, provedor e almoxarife) para o cargo de “depositário do dinheiro das obras públicas do reino”. E também foi escolhido pelos seus confrades para repartidor da finta lançada entre “a gente da nação” para a compra do perdão geral concedido pelo rei Filipe e pelo Papa aos cristãos-novos portugueses; em 1605, que estavam presos nas cadeias das Inquisições de Espanha e Portugal.(3)
Voltando ao patriarca, diremos que ele é apresentado como físico e médico e que a sua vida se repartia entre Castela e Trás-os-Montes, sobretudo entre as localidades de Vilvestre e Vila Flor, indicadas como terras de sua residência. E sabemos que foi denunciado como judaizante na visitação que fez a Torre de Moncorvo o dr. Jerónimo de Sousa, em Março de 1583, enviado pela Inquisição de Coimbra. (4)
Estando então o dr. Jerónimo de Sousa em Torre de Moncorvo, na “casa da Inquisição”, no dia 23 daquele mês e ano, aí compareceu um tal Bartolomeu Fernandes, cristão-velho, de 35 anos, casado, porteiro, que fez a seguinte declaração: (5)
- Disse que haverá onze anos pouco mais ou menos, morando ele com Álvaro Vaz, cristão-novo, mercador, morador nesta vila, que ora está casado com uma irmã de Julião Henriques (…) morando assim com ele vindo uma vez de Castela no dito tempo com panos, passaram a barca de Silvestre de noite e se vieram agasalhar em Freixo de Espada à Cinta, em casa de uma viúva que se chamava a de Burgos chama-se Branca Francisca Rodrigues cristã-nova, estalajadeira e aí veio ter com o dito seu amo Julião Henriques, físico, que então morava em Silvestre e agora mora em Vila Flor e dois filhos da dita estalajadeira (…) e depois de terem ceado, já muito de noite, ele denunciante se foi deitar em cima de uma carrega (sic) na mesma casa onde estavam e depois de ele denunciante se deitar, fez que dormia, e o dito seu amo com os mais cristãos-novos e a estalajadeira e duas filhas suas, mulheres, se ajuntaram junto do fogo e mandaram pôr uma mesa com um lambel por cima e puseram duas velas em dois castiçais, acesas na dita mesa, e entre estas velas puseram um livro de quarto que poderia ter duas mãos de papel, e o abriram e cada um deles lia pelo dito livro; e o primeiro que começou a ler foi Julião Henriques e o segundo foi o amo dele denunciante, e assim corria todos, e cada um lia seu pouco; e acabando cada um de ler, dava uma palmada no livro e o passava a outro; e ele denunciante não entendeu nem pode entender a língua do dito livro, somente entendia algumas vezes, mexiam, levantavam as mãos dando palmadas e que as mulheres não liam, mas iam tocar no dito livro e se tornavam a sentar; e depois se levantaram e estiveram todos em pé um grande pedaço, sem ele denunciante entender o que eles diziam; e acabando isto, cerraram o livro e a velha estalajadeira o foi meter em um cortiço em que tinha sal, a um canto do lar, em entrando à mão esquerda; e enquanto estiveram na dita cerimónia, um neto da dita estalajadeira ia a ver se dormia ele denunciante…(6)
NOTAS
1 – HERCULANO, Alexandre – História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, tomo III, p. 268.
2 – IANTT, Inquisição de Coimbra, processo 2182, de Leonel Fernandes.
3 – IANTT, Inquisição de Coimbra, processo 5814, de Pêro Henriques Julião. Processo 5022, de Francisca Vaz.
4 – Antes de entrar ao serviço da Inquisição de Coimbra, o dr. Jerónimo de Sousa foi prior da igreja de Vila Flor. E já então revelava um extraordinário zelo inquisitorial, como se vê das actas dos interrogatórios que lhe mandavam fazer. A este respeito é exemplar o relatório que anexou no processo nº 458 da Inquisição de Coimbra, referente a Manuel Lopes, de Vila Flor. Nesse relatório, datado de 23.10.1577, ele permitia-se dizer que não interrogou algumas testemunhas, como lhe fora ordenado, “por não serem da terra, como também por não fazer estrondo (…) e eu porque trazem o olho em mim, não ouso de perguntar isto miudamente, somente noto o que acaso ouço sem perguntar”.
E permitia-se até aconselhar os inquisidores escrevendo que “ deviam vossas mercês usar um pouco mais de rigor neste caso porque estão aqui casas que tiveram mãe e filha escondidas e ainda se presume que está a filha; se estas pessoas fossem presas diriam a verdade; e também a mulher do alcaide de que há culpas de fautoria não deixa com o poder do marido de contar tudo o que pode porque os dias passados morreu aqui um cristão-novo paralítico e começava de falar; morreu uma noite e subitamente; disseram que o mataram com peçonha”.
E não bastando o relatório com tantas insinuações e conselhos, Jerónimo de Sousa escolheu então uma pessoa de toda a sua confiança para ir pessoalmente a Coimbra explicar todos os pormenores do processo – Gaspar da Rosa (tabelião, inimigo figadal dos cristãos-novos) e sua mulher.
5 – Sobre esta visitação ver: ANDRADE, António Júlio e GUIMARÃES, Maria Fernanda – Subsídios para a História da Inquisição em Torre de Moncorvo.
6 – IANTT, Inquisição de Coimbra, liv. 662.
A mulher de Álvaro Vaz chamava-se Catarina Henriques. E eles foram os pais de Filipa Henriques, que casou com Vasco Pires Isidro e de Francisca Vaz, que casou com Pêro Henriques Julião, todos moradores em Torre de Moncorvo.
(foto da Junta de Freguesia de Vila Flor)
sábado, 24 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
-VILA FLOR

António Júlio Andrade
Fernanda Guimarães
quarta-feira, 21 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
-VILA FLOR

(séculos XVI-XVII)
Filho de André Lopes e de Maria Vaz, de Vila Flor, João Rodrigues Faro era neto de João Rodrigues Isidro. Do lado paterno, era sobrinho dos mercadores Manuel Rodrigues Isidro e Vasco Peres Isidro, além de Isabel Vaz e Francisca de Sousa. Irmão de Francisco de Paz Isidro, João casou-se com a prima Beatriz Lopes (filha de Manuel Rodrigues).
Durante a primeira metade do século XVII, João Rodrigues Faro foi uma figura de relevo no meio das comunidades sefarditas dispersas pelo continente europeu. Na década de 20, João e a sua família encontravam-se em Madrid, mas no decénio seguinte, já estavam em Amesterdão.
Quando foi denunciado na Inquisição de Toledo, percebeu-se o quão abrangente era a sua rede de negócios, espalhada por cidades como Lubeque, Hamburgo, Amesterdão, Bayonne, Bordéus e Londres. Nesta última cidade, o mercador era também conhecido pelo nome de Richart. É possível que o biografado correspondesse a um Joan Luarte que Gérard Nahon refere na sua obra.
Apesar das acusações que recaíam sobre ele, o Tribunal do Santo Ofício não conseguiu prendê-lo e acabou por ser relaxado em estátua.
Bibliografia
Estudos
Gérard Nahon, Métropoles et Périphéries Sefarades d’Occident, Paris, Les Éditions du Cerf, 1993.
Maria José Pimenta Ferro Tavares, Los Judíos en Portugal, Madrid, MAPFRE, 1992, p. 336.Markus Schreiber, Marranen in Madrid, 1600-1670, Estugarda, Franz Steiner Verlag, 1994, p. 287.Fontes
ANTT, Inquisição de Coimbra, proc. n.º 448 (Manuel Rodrigues Isidro).
M. Fernanda Guimarães
A.J. Andrade.









