sexta-feira, 16 de julho de 2010
-BRAGANÇA - Uma rota de turismo cultural V
António Júlio Andrade
Maria Fernanda Guimarães
Em uma memória enviada em 1721 para a Academia Real da História, o secretário da câmara de Bragança escrevia que a fábrica de sedas de Bragança “consta hoje somente de 30 tornos e 350 teares, que os mais se ocupam em mantas de peso, e com o consumo da fábrica se cria muita e excelente seda nos lugares do termo”.
Pensamos que o nome “fábrica” não deve ser entendido como um edifício onde estivessem instalados aqueles tornos e aqueles teares, antes terá o significado de produção e indústria.
Não vamos também questionar aqueles números que pecarão por defeito, na medida em que o cronista usa o advérbio “somente”. A verdade é que a existência de 350 teares numa terra de 500 ou 600 casas significa um elevado índice de industrialização. Por outros documentos se verifica também que a classe dos fabricantes de seda seria a de maior peso no tecido económico e social da cidade naquela época.
Também não será novidade para ninguém que aquela indústria, em Bragança como em Chacim e nos outros centros sericícolas, estava nas mãos da gente da nação hebreia. Por isso mesmo e para o estudo em profundidade da matéria, uma fonte essencial são os processos instaurados pela Inquisição aos cristãos-novos que àquela arte se dedicavam e às cadeias daquele tribunal foram parar.
Porque lemos já um bom par desses processos, podemos adiantar algumas informações sobre o assunto, começando por dizer que a maioria dos cristãos-novos de Bragança residiam na rua Direita e que muitas das suas casas eram verdadeiras oficinas de fabrico de seda. Naturalmente estavam equipadas com teares e algumas delas com tornos para extrair a baba (seda) dos bichos e reduzi-la a fios que depois iam para os teares. Aliás, a profissão de torcedor de seda é também muito referida.
Mas não se pense que aquela gente apenas produzia. Ao contrário, eles comercializavam comprando aos lavadores a matéria-prima (casulos) e vendendo o produto final (tecidos) Eis por que as suas casas eram também lojas de comércio.
E como não podia deixar de ser, as casas eram de habitação, com as famílias, geralmente bem numerosas, ocupando o piso superior. E se uns (mulheres e crianças, sobretudo) trabalhavam no aquecimento das caldeiras de água para limpar os casulos e reduzi-los a fio, outros faziam os teares laborar. E se o chefe da família tudo ali coordenava, os filhos andavam por fora comprando casulos e vendendo tecidos.
Tentemos então fazer um retrato composto da rua Direita de Bragança naqueles anos de 700. Sem dúvida que ela se apresentava como uma grande fábrica e as pancadas de dezenas ou centenas de teares marcavam o ritmo da vida quotidiana da rua. Mas era também um grande centro comercial constituído por dezenas ou centenas de lojas de massaria onde tudo se vendia e comprava, pois que a gente da nação não perdia a mínima oportunidade de negociar e “tractar”.
E ao sábado, como seria, sabendo que aquele é o dia de descanso semanal? Fechariam todas aquelas lojas e ficariam parados aqueles teares, com as pessoas a vestir seus fatos domingueiros? E ao domingo, ficaria a rua Direita buliçosa como em qualquer dia de trabalho?
Certamente que isso não acontecia, pois daria muito nas vistas, causaria escândalo e os esbirros da Inquisição denunciariam o caso e seguiriam vagas de prisões. Não podendo assim fechar as lojas e parar os teares, os marranos provavelmente abrandavam aos sábados o ritmo de trabalho, guardando em pensamento o dia santificado da lei mosaica. E ao domingo, para não dar nas vistas e causar escândalo, teriam as portas fechadas e os teares parados mas faziam trabalhos de limpeza e arrumação das lojas e manutenção dos teares.
Mas havia um dia do ano em que eles não trabalhavam mesmo. Era o dia grande do Kipur, o mais sagrado de todos, que em 1745 caiu no dia 6 de Outubro. E tendo conhecimento de tal efeméride, alguns “bufos” da Inquisição andaram a espreitar o comportamento dos marranos e os denunciaram à Inquisição. Vejamos apenas dois excertos dessas denúncias.
Uma delas foi feita pelo familiar do Santo Ofício José da Rocha Pimentel, que disse o seguinte:
- No dia 6 de Outubro de 1745 era dia grande e na rua Direita estavam todos às portas a conversar, de camisas lavadas, ou a jogar e não se ouviu um só tear.
O segundo testemunho foi prestado pelo capitão António Luís de Madureira, morador na Casa do Arco nos seguintes termos:
- Movido ele testemunha de curiosidade e zelo da fé foi ele testemunha no dito dia em companhia do dito padre António Carlos, por 4 ou 5 vezes pela rua Direita aonde vive a maior parte dos cristãos-novos, para efeito de averiguar e alcançar alguma notícia e indícios certos do que se dizia, e indo pela rua ele testemunha com o dito padre, viu Luís de Valença à porta de António Rodrigues Falho à sua porta o qual tinha uma camisa muito bem branca e sabe por ver porque ele testemunha vive no meio da rua Direita aonde vive a maior parte dos cristãos-novos da dita cidade e no dito dia nenhum trabalhou sendo que a maior parte são tecelões de seda e os viu uns estar às janelas e outros às portas e que nenhum tinha camisa ofuscada.
Bragança 2008 ,foto do arquivo A.P.L.B.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
-BRAGANÇA - Uma rota de turismo cultural IV
Maria Fernanda Guimarães
A quinta de Palhares e a ermida de S. Miguel
Uma das várias pontes medievais que, nos arredores de Bragança, permitiam a circulação entre as margens do rio Fervença dá pelo nome de ponte de Palhares. Situa-se a jusante da cidade, a poucas centenas de metros do núcleo acastelado.
Hoje estará engolida pela vegetação e não terá qualquer serventia e interesse já que a rede viária da zona foi completamente alterada no último século. Mas tem interesse histórico e concretamente do ponto de vista da história dos marranos de Bragança.
Por esta ponte se acedia à quinta de Palhares, sita na margem direita do Fervença. E é sobre esta quinta que vamos falar, recuando aos anos de 1725 e a partir de informações obtidas no processo nº 7630 da Inquisição de Lisboa.
Pertencia então a quinta de Palhares a um cristão-novo de Bragança chamado André Lopes da Silva, certamente um dos homens mais endinheirados da terra e um dos poucos que se passeavam de sege pelas ruas da cidade.
A quinta produzia umas 14 pipas de vinho, sendo a vinha circuitada de muros e mil e tantos alqueires de cereal, em cada ano. Havia também uma parte de horta e outra de mato e terra de pastagem. Nela se alimentava um rebanho de mais de 200 cabeças. Havia 2 juntas de bois para as tarefas agrícolas e criavam-se também alguns bezerros, 4 ou 5 porcos e variada criação de bico para sustento da casa. Havia ainda um jumento de lançamento, cobrando-se maquia pelas éguas e jumentas que cobria.
Pode dizer-se que era uma boa quinta, sendo avaliada em 12 mil cruzados, ou seja, 4 contos e 800 mil réis.
Para o amanho da quinta havia um casal de quinteiros a quem pagava 19 mil réis em cada ano, permitindo-lhe ainda trazer umas 30 ou 40 cabeças de gado no seu rebanho e criar 2 bezerros e um porco.
Para além do casal de quinteiros, tinha em permanência 8 ou 10 criados e criadas, com outros assalariados em determinadas épocas do ano.
A determinada altura, a herdade passou também a ser designada pelo nome de quinta de S. Miguel. Isto porque André Lopes da Silva nela fez erigir uma capela, da invocação daquele arcanjo. Esta ermida era citada em 1758 pelo reitor da igreja de S. Maria de Bragança, dizendo que se situava a um quarto de légua. Curiosamente nada diz sobre o seu padroeiro ou administrador, ao contrário do que faz em relação às outras 4 ermidas do termo da freguesia.
Voltando à construção da capela, cumpre referir que, por escritura feita no cartório do tabelião Estêvão da Costa, André Lopes e sua mulher se obrigaram a 6 missas anuais, 2 cantadas (dias de S. Miguel e S. António) e 4 rezadas. A esta obrigação vincularam eles a quinta. No fundo era a instituição de um morgadio, à imitação do que fazia a gente da classe da maior nobreza, não esquecendo que “para a dita capela chama, por sucessores, aos seus filhos, precedendo os mais velhos, os machos e as fêmeas, na forma do direito”.
Mas se a obrigação da capela eram 6 missas anuais, a verdade é que ele tinha um capelão (padre Jerónimo Rodrigues, morador em Samil) que todos os domingos e dias santos ia rezar missa à sua capela, para seus familiares e quinteiros, pagando-lhe 120 réis por cada uma.
E tinha também um padre jesuíta (Filipe Teixeira da Nóbrega) contratado como preceptor para educar os seus 2 filhos mais pequenos, ensiná-los a ler e a escrever… Seria bem interessante a vida na quinta de Palhares, pelos anos de 1725 quando a Inquisição prendeu o seu dono e lha sequestrou.
Margens do Rio Fervença, Bragança
Julho de 2009
Foto de Jorge Soares
quarta-feira, 14 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
-BRAGANÇA - Uma rota de turismo cultural III
António Júlio Andrade
Maria Fernanda Guimarães
Uma ópera em Bragança para “os vis e povertis”
Diogo Mourato foi bispo de Miranda do Douro. Era natural do Algarve e entrou em Miranda em 21 de Outubro de 1742.
E logo foi anunciada para o Verão seguinte a sua visita pastoral à cidade de Bragança que, não sendo sede de bispado, ultrapassava todas as outras terras trasmontanas em população, capacidade económica e produção cultural.
Naturalmente que as forças vivas de Bragança tudo fizeram para que a visita do prelado resultasse em êxito. Claro que toda a nobreza da terra se mobilizou para o receber com a maior pompa e circunstância.
À frente, na organização da visita, estava o alcaide-mor do castelo, António Gomes da Mena, fidalgo cavaleiro e o seu cunhado Roque de Sousa Pimentel, abade de Vinhas e comissário regional da Inquisição – sem dúvida os dois homens mais poderosos da terra.
Não conhecemos o programa da visita mas certamente que predominaram celebrações religiosas na igreja de Santa Maria e visitas de cortesia e beija-mão ao prelado, nos conventos de S. Francisco, S. Bento e Santa Clara, bem como nas instalações do colégio dos jesuítas, da santa casa da Misericórdia, do hospital militar…
Também não faltariam lautos banquetes a retemperar as energias gastas em grandiosas procissões e no solene Te Deum. E haveria ofertas de prendas e recordações e muitos pedidos e empenhos para colocação de curas e sacristães nas igrejas e capelas do bispado.
E houve – imaginem! – um altíssimo acontecimento cultural – a representação de uma ópera!
Quem imaginaria que em Bragança, um pequeno povoado perdido atrás das montanhas se realizava um género de espectáculo que então era novidade na Europa, uma arte que então era eminentemente italiana, alimentada pelos Medici e que em Veneza vira abrir “o primeiro teatro público de ópera” apenas em 1637?!
Faltará saber até que ponto o facto se deve aos jesuítas, pois eles terão sido dos primeiros a compor uma ópera em Portugal, baseada na prisão do padre António Vieira pela Inquisição. Infelizmente não conhecemos o texto nem a música. Apenas que em cena aparecia o padre Vieira amarrado com cadeias de ferro e um anjo a inspirar-lhe as respostas que deveria dar aos inquisidores.
Muito menos conhecemos o texto, nem a música, nem o autor e nem sequer o teor da ópera representada em Bragança para D. Diogo Mourato.
Tratando-se então de um acontecimento novo e de tal eminência, importante era também escolher o local da sua apresentação. Os “palcos de teatro” usuais na cidade eram então os conventos das freiras de S. Bento e S. Clara, do que há bastante informação, tanto em cartas capitulares dos bispos de Miranda, como em processos da Inquisição.
Desta vez, porém, escolheu-se um palco de mais nobreza e dignidade: o salão de festas da casa de Bento José de Figueiredo Sarmento, cavaleiro fidalgo, administrador do morgadio dos Figueiredos.
E, tratando-se de convidar as pessoas para o espectáculo, os organizadores concluíram que o melhor seria fazer duas sessões. Na primeira, contar-se-ia com a presença de Sª Exª Reverendíssima e gente da nobreza da terra. Ao outro dia, fazia-se uma segunda representação da ópera em sessão destinada aos “vis e povertis” – expressão jocosa que revela em si mesma uma nítida influência italiana, mas que, no contexto da cidade de Bragança da época, significaria a burguesia cristã-nova, onde se destacavam médicos, advogados, escrivães, mercadores, rendeiros e fabricantes de seda. Era uma classe de grande poder económico e bastante ilustração, já que muita dessa gente, se não foi para a universidade, ao menos fez estudos preparatórios no colégio dos jesuítas.
Não sabemos como as coisas se passaram no primeiro dia, mas tudo terá corrido como planeado. Ao segundo dia, porém, à sessão destinada aos “vis e povertis”, nenhum dos cristãos-novos de Bragança compareceu. E essa foi a maior ofensa que podiam fazer ao alcaide-mor, ao comissário da Inquisição, ao dono da casa e à nobreza da terra. Que imagem da cidade levaria o bispo de Miranda?
No imediato nada de espacial aconteceu. Mas a vingança foi terrível. Nos anos que se seguiram, Bragança sofreu a decapitação da sua classe industrial e mercantil constituída essencialmente por gente da nação hebreia. Mais de uma centena de homens e mulheres foram presos e metidos nas masmorras da Inquisição. Outros muitos abandonaram a cidade, em fuga para o estrangeiro ou para o litoral e o sul do País. Foram muitas as casas que então se fecharam, quantidade de unidades industriais (de fabrico de seda, sobretudo) que se encerraram, montes de pelames e tinarias de panos que ficaram abandonadas. Foi a agonia do comércio e a fuga massiva de capitais para o estrangeiro. Foi a ruína completa da então progressiva e industriosa e culturalmente brilhante “capital” de Trás-os-Montes, em vésperas da revolução industrial que muitos foram ajudar a fazer em terras de Inglaterra e da América do Norte – então já transformadas em destino prioritário da emigração sefardita.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
-CARÇÃO A CAPITAL DO MARRANISMO

PREFÁCIO
Sinto-me lisonjeado por poder manifestar a minha opinião acerca deste trabalho singular, que de um modo particular é de extrema importância para ultimar a história de Carção e no geral, mais um tributo enriquecedor para a História de Portugal.
Até à presente data, existia pouca documentação fundamentada acerca do povo sefardita de Carção, podendo, apenas, verificar-se algumas menções instrutivas por Francisco Alves (Abade de Baçal), Amílcar Paulo, Leite Vasconcelos, Francisco Rodrigues entre outros.
Esta obra vai ao encontro da nossa história, enriquecendo-a pela grande quantidade de factos passados do quotidiano dos populares entre o século XVII e metade do século XVIII que, até ao momento, eram do desconhecimento de todos nós.
O título da obra “Carção – a capital do marranismo” evidencia bem a importância da comunidade judaica/cristã-nova no nordeste transmontano, tanto em termos económicos (possuidores das indústrias de curtumes, cola, destilação de aguardente e outros ofícios) como pela sua convicção/fervor religioso, que no mínimo é surpreendente.
Apesar de ser um povo severamente massacrado no decorrer dos séculos pelo Tribunal do Santo Ofício, podendo mesmo apelidar-se de holocausto, proveniente do que se passou, principalmente, entre 1691 e 1701 (130 presos!!!), conseguiram resistir, superar todas as atrocidades e mesmo as fugas e muitas condenações à fogueira nos Autos-de-Fé de Coimbra e Lisboa, surpreendendo-nos a preservação e evolução dessa cultura no decorrer dos séculos pelas gerações seguintes.
Uma frase parafraseada pelos autores no início deste projecto “…a história da comunidade judaica de Carção está para lá de tudo o que se possa imaginar…” elucida bem a importância da ocorrência de factos marcantes na história desta comunidade, a exemplo do rabi que vai a Livorno à procura de mais informações religiosas para doutrinar a restante comunidade, a audácia da usurpação dos sambenitos da Igreja Matriz, a crença e fervor religiosa, assim como o “modus vivendi” da época desde a alimentação, ofícios, mentalidades, etc.
A comunidade é tão forte e importante que o Padre António Vieira chega a referir que existiam no seu tempo povoações inteiras constituídas exclusivamente por cristãos-novos, e a esse número devia
pertencer a aldeia dos Carções, no Distrito de Bragança, cuja personalidade «de judeus» ainda hoje é apontada pelos vizinhos.
Esta obra poderá ser também, o embalo para Carção se tornar num lugar central na rota do Turismo Judaico de Trás-os-Montes, que do meu ponto de vista, foi um dos núcleos mais importantes. Por conseguinte, é uma ajuda preciosa na reposição da verdadeira história de Carção, que de alguns anos a esta parte tinha vindo a ser deturpada e desviada em detrimento de outras.
Felicito os autores pela originalidade desta investigação, podendo tornar-se num importante e valiosíssimo suporte e ponto de partida para futuros estudiosos.
Paulo José Fernandes Lopes
(Mestrado em História da Arte;
Lic. em Ensino Básico, v. E.V.T.;
Presidente de Associação Almocreve)
Lic. em Ensino Básico, v. E.V.T.;
Presidente de Associação Almocreve)
domingo, 11 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
-MIRANDA DO DOURO 1557 – Álvaro de Leão e a ideia messiânica
- Como confessaram tudo, pelo bispo de Miranda lhes meter medo, eles deitaram a perder todo o Portugal com sua confissão, o que fizeram por serem moços.
E aos mesmos companheiros terá ainda contado que logo em Miranda do Douro, quando foram preso, os repreendera, dizendo-lhes:
- Mal aventurado leite que mamastes, que tanto mal fizestes para os outros!
E, acerca da prisão dos ditos sobrinhos, apanhados na quarta-feira de cinzas a cozinhar uma “panela de chacina e carnes frescas com gravanços,” recordou a sua reacção:
- Caí morto quando me disseram!
E agora vamos apresentar dois homens que com logo ao início foram companheiros de cela do Álvaro. Francisco Gomes se chamava um deles. Era morador em Ponte de Lima, onde exercia o cargo de tabelião. O outro era pedreiro e dava pelo nome de João Fernandes, mas adoptou, nesta circunstância, o nome de Manuel de Álvares. Eram ambos cristãos-velhos, mas diziam-se “judeus”. Certamente estavam bem instruídos pelos inquisidores e metidos como espias para arrancar de Álvaro Lopes as confissões pretendidas.
E Álvaro, que era “um homem de velho, de 60 anos para cima”, logo se deixou cair na armadilha, começando por dizer que nada havia de contar, que ele e os outros que com ele vieram presos de Miranda combinaram pelo caminho não confessar qualquer culpa e não denunciar ninguém.
Uma das acusações que o sobrinho Lopo de Leão lhe fizera referia-se à sua crença messiânica. E os espias, de certo bem ensaiados, perguntaram-lhe o que ele pensava do assunto, se as profecias eram certas e se o Messias demorava ou não a vir. E Álvaro respondeu, convicto, que o Messias estava para chegar, que havia de vir de 1560 para 1561. E acrescentou esta profética trova:
No ano de 57 ferra o bordão!
E no de 58 deixa Espanha!
E no de 59 já está fora!
E no de 60 haverá repouso!
Um dos espias fez-se desentendido e quis aclarar bem a questão. Por isso lhe perguntou se o repouso significava que o Messias já tinha chegado. Ao que ele respondeu: - “Pois já me entendes!”
Naturalmente que para a informação ser mais completa, importava saber a origem e o fundamento da coisa, e assim ficamos a saber que aquela trova lhe fora ensinada por um sobrinho seu que foi aluno de “um homem que da Hungria viera a Miranda e pousava no sprital, filho de um homem honrado e letrado e muito sabedor”
Infelizmente, não ficou registado no processo o nome daquele judeu que veio da Hungria até Miranda. Acaso isso poderia abrir outros caminhos de investigação sobre a centralidade e a importância da jovem cidade de Miranda do Douro no contexto da nação sefardita naquela época.

Na verdade, parece-nos muito estranho e digno de realce que um tecelão que pouco sabia ler e escrever, vivendo numa pequena aldeia trasmontana, se apresentasse tão bem informado sobre o que acontecia lá fora, como se verá mais adiante. Por agora, vejam só como ele se referiu a uma tal Benveniste, que deverá ser identificada como Gracia Nasi, conforme testemunhou o espia João Fernandes, aliás, Manuel de Álvares:
- Primeiramente ouviu falar numa Benveniste e que a dita Benveniste estava agora em Génova e dava muitas esmolas para todos os que se quisessem ir destes reinos; e que as cartas que vinham de Roma (diziam) que se estava lá muito à sua vontade, sem andar com o olho sobre o ombro, vivendo na lei da verdade.
Recordam-se do “judeu do sapato”? Pois o nosso espia, Francisco Gomes, disse que “um dia à noite” conversando com Álvaro Lopes, lhe perguntou se o conhecera pessoalmente e que Álvaro lhe respondeu que efectivamente não conhecera David Reubeni, mas sabia que “o dito judeu era irmão de um rei que tinham os judeus lá nessas partes (…) que era muito longe” que ficava para lá dos desertos e que tal reino nasceu quando para lá fugiram 9 das tribos de Israel quando Vespasiano, imperador de Roma, conquistou Jerusalém.
Voltando atrás ao “mestre” que veio da Hungria até Miranda e que “ensinara um sobrinho seu que está em Zamora”, Álvaro comentou que antes de 60 e da vinda do Messias “teriam três sinais e guerras e mortos e que o Turco havia de se assenhorear de Roma”. E foi explicitando esses sinais em conversas várias que, com mais ou menos pormenores, cada um dos espias foi relatando aos inquisidores.
Um desses sinais eram as guerras entre os reinos cristãos que então assolavam a Europa, nomeadamente a que era conduzida por Filipe II de Espanha, com o apoio do imperador da Alemanha, no norte de Itália, contra os Franceses e o papa Paulo IV. Vejam como Álvaro se expressava:
- Disse que agora que começaram as mais cruas guerras com a França, como nunca foram ; e que este era um dos grandes sinais que esperavam. E como (embora) se travasse em França, Portugal não havia de estar quedo (livre) e que haveria logo tanta gente morta. E que viria o Turco e se cumpririam as profecias e ficariam os cristãos-novos à sua vontade (…) das três nações não haveria mais do que uma que seria a sua e que aquela seria a melhor.
Outro dos sinais era a desagregação do mundo católico com o movimento reformador de Lutero e Calvino e com a separação da Inglaterra da Igreja de Roma. Para Álvaro Lopes a rebelião da monarquia inglesa contra o papado significaria uma conjugação de esforços entre ingleses e judeus para a liquidação do cristianismo. E contaria uma história que nisso encaixava, assim transmitida pelos espias:
- Que um príncipe de Castela pusera um escrito na porta por onde passava uma rainha. E que o escrito dizia assim: - “12 com 12 são 24”. E perguntando-lhe a dita rainha que queria aquilo dizer, o dito príncipe lhe respondeu que os 12 eram os 12 pares (da Inglaterra?) e onde ele procedia e que os outros 12 eram as 12 tribos de onde ela vinha (…) Isto contava o dito Álvaro de Leão por profecia. E que a rainha lhe respondera que dizia a verdade; e que o matara com peçonha para a não infamar de judia.
Disse mais o espia que Álvaro citara uma trova de Santo Isidro a respeito do mesmo assunto e da qual apenas fixou estas palavras:
- Aguyadas e bastones que defendem a monarquia subiram mais alto que dragones.
Uma das curiosidades referidas no processo sobre a postura do réu é o facto de ele deitar a mão à barba ou dizer que olhassem “para as barbas que tinha no rosto” quando fazia alguma afirmação mais solene e convincente. Como esta:
- Na era de 40 tivera novas de que lá longe morreram 1500 cavaleiros cristãos, o qual também fora profetizado por muitas profecias.
Certamente que se referia aos combates entre turcos e cristãos no Médio Oriente, um episódio que o mesmo Álvaro de Leão considerava como um dos capítulos finais da história do mundo cristão e que terá resumido nos seguintes termos:
- Nas guerras grandes que tem o imperador e o rei de França se hão-de desbaratar; e sendo desbaratados hão-de ir ter a Roma onde então há-de vir ali ter o Turco e há-de matar a todos e há-de ficar vitorioso; e nisto há-de vir o Rei Manso que eles (os judeus) esperavam o qual então matará o Turco e há-de ficar a lei toda uma que há-de ser de todos os judeus. Porque então estes povos que agora nos perseguem hão-de ser perseguidos e nós avalizados e os clérigos todos mortos à espada, onde seremos vingados.
Mas voltemos ao caso do alfaiate de Setúbal que se armou em Messias e arrastou muita gente. Que pensaria Álvaro Lopes desse movimento messiânico? A questão foi-lhe colocada por Francisco Gomes que o aconselhou a confessar suas culpas e delas pedir misericórdia aos senhores inquisidores pois, caso contrário, arriscava-se a que o queimassem como queimaram “o sapateiro de Setúbal e outros de sua nação”. Aí, Álvaro ter-se-á lembrado de seu irmão Diogo (o da Costanilha), de seu primo do mesmo nome, e do “rabi” João de Miranda que com o Setubalense e os da sua corte partilharam as celas da Inquisição de Lisboa e por idênticas razões tiveram o mesmo trágico fim. E então, terá respondido ao espia com as seguintes palavras:
- Disse que aqueles morreram mártires e que disso morreria ele e que não havia de confessar suas culpas.
O promotor servir-se-ia bem deste testemunho realçando a determinação do réu em manter-se na heresia judaica pois dizia que “ainda que o fizessem em pedacinhos, como um junco, não havia de confessar (…) aguardaria que o matassem porque era já velho e não queria culpar ninguém (…) e que havia de esperar pelo perdão”.
Esta história do perdão não ficará bem esclarecida e parece não ter sido até hoje bem estudada. O que não há dúvida é que Álvaro Lopes e outros presos de Miranda do Douro estavam convencidos que, mais dia menos dia, viria de Roma um novo perdão (para os cristãos-novos de Miranda? Ou para todos?) e eles seriam libertados. Aliás, o mesmo espia Francisco Gomes foi contar aos inquisidores que lhe ouviu dizer o seguinte:
- Que um homem era partido de Miranda para Roma a buscar o perdão para os cristãos-novos o qual custara oitenta mil cruzados e que isso se esperaria e que viria o tempo em que se deixaria de estar preso nem confessar as culpas, dando a entender que esperaria o perdão e que, ainda que o fizessem em pedacinhos, como um junco que tomava na mão, não havia de confessar, nem nenhum dos que vieram presos de Miranda com ele.
Registado no processo ficou ainda este comentário feito por Álvaro e contado por Gaspar de Seia, cristão-novo, ao inquisidor Ambrósio Campelo: - “Coitados de nós! Como somos vituperados, arrastados e mal tratados!”
E este outro, referido por João Fernandes: - “Estes leões, carneiros que assim andam em lambuzados em nosso sangue, que se não podem fartar, pois dizemos que cremos nesse seu Deus”.
Todas as cenas que até agora temos relatado foram levadas ao conhecimento dos inquisidores pelos espias. E provam, sem qualquer dúvida, que o réu estava absolutamente resolvido ao judaísmo: Porém, o que dizia ele nos interrogatórios a que era submetido pelos inquisidores?
Sempre se afirmou cristão cumpridor de todos os deveres, “amigo do Senhor Deus e de todas as suas causas; e se confessa e toma o santo sacramento na Quaresma em cada ano; e vai à igreja aos domingos e dias santos e os dias da semana alguns a ouvir missa e pregação quando há no lugar; e sempre deu esmolas do que podia, por amor do Senhor Deus; e é confrade do Santo Sacramento e da Santa Misericórdia e dos Cativos, dando às tais confrarias suas esmolas para ganhar os perdões, guardando os domingos e dias santos, não vestindo camisas lavadas senão ao domingo”.
Mantendo-se assim irredutível, os inquisidores acabaram por confrontá-lo com os espias seus companheiros de cela que, em sua presença, ratificaram os testemunhos e denúncias feitas. Pois, nem assim, conseguiram levá-lo a confessar suas culpas e a pedir misericórdia. E foi admoestado uma vez e outra e uma terceira… E o promotor fiscal deduziu a acusação. Álvaro continuava negando tudo e indicava testemunhas da sua terra, abonatórias de seu comportamento cristão, entre elas o cura e outro clérigo da aldeia. E todos disseram que sim, que era bom cristão.
E depois de juntar novos e mais comprometedores testemunhos contra ele, prestados por amigos que com ele vieram presos de Miranda, o promotor ditava para o processo:
- Este velho pertinaz está tão endurecido em seus erros (…) está convencido de esperar o Messias e de outras muitas judiarias (…) e não parece que se converta visto o que dizia no cárcere que o fizessem em pedacinhos (…) e sabe de muitos e está cheio como uma colmeia, como ele confessou no cárcere”.
Cheio como uma colmeia! – Bonita expressão de sabor trasmontano e telúrico!
Mas vejam a resposta que ele deu aos inquisidores quando estes lhe leram a denúncia contra ele feita pelo seu amigo António Lopes, ourives da prata em Miranda do Douro e seu companheiro de prisão:
- Disse que António Lopes era um homem de bem e honrado e o tinha por bom cristão e honrado e não sabia dele nada nem queria falar sobre isso.
Aí chegava-se ao fim, baldavam-se as esperanças de levar o réu a confessar suas culpas e pedir perdão. E o promotor de justiça concluía:
- Este réu agora está muito mais convencido e o caso parece não ter agora nenhuma dúvida e portanto não digo mais senão peço que se faça justiça.
E então o tribunal ditou a sentença: condenado à morte na fogueira.
Finalmente, ao ver-se assim condenado e sem o Messias chegar, nem perdão do papa…Álvaro de Leão decidiu-se a pedir audiência e a contar que sempre fora judeu em seu coração, que nisso fora educado por seus pais, mas agora estava disposto a mudar e a pedir misericórdia de seus pecados. Foi-lhe dito que esta confissão “não era boa nem perfeita” que apenas era feita com o objectivo de escapar à morte e manteve-se a sentença. Acabou relaxado à justiça secular no auto-de-fé que se fez em Lisboa em 24 de Outubro de 1559.
IANTT, Inquisição de Lisboa, processo 4391.
M. JOSÉ FERRO TAVARES – Para o Estudo dos Judeus de Trás-os-Montes sec. XVI – Cultura História e Filosofia Vol. VI / 1985
quinta-feira, 8 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
-VULTOS JUDAICOS BRAGANÇANOS II
Isaac Oróbio de Castro - Pensador Judeu do Século XVII
Por: Amílcar Paulo
Baltazar (Isaac) Oróbio de Castro é um dos vultos mais notáveis do judaísmo do século XVII.
Nasceu em Bragança em Portugal, no ano de 1620, filho duma família judaica-marana. Não consta ao certo, quanto tempo ficou em Portugal, mas parece ter sido ainda muito jovem, quando abandonou a sua terra natal, emigrando para Alcalá de Henares, um município da Espanha na província e comunidade autônoma de Madrid, onde cursou filosofia.
O seu profundo conhecimento nesta ciência, e as suas grandes qualidades de mestre, o levaram a ser escolhido para dirigir a cátedra de metafísica na Universidade de Alcalá, e mais tarde na de Salamanca. Sentia-se atraído por este estudo, pois achava que só esta ciência o conseguia levar a um conhecimento exato. Mais tarde estabelece-se permanentemente em Sevilha, onde cursa medicina. Médico de profissão, Oróbio de Castro revela-se em proporções gigantescas, passando a ser o médico da família real e do Duque de Medinaceli (antigamente Medina Celi).
Convivendo com os homens de letras do seu tempo, muitos deles por inveja, procuraram deprimi-lo, fazendo com que ele fosse cair nas mãos do Tribunal do Santo Ofício, onde permaneceu durante o espaço de três anos, sofrendo as maiores torturas, entre os vastos interrogatórios, acabando por confessar ser cristão e prestar juramento de fé à Santa Madre Igreja.
Depois do seu cativeiro nos cárceres da Inquisição, os soberanos da Espanha, decretam a sua expulsão, dirigindo-se Oróbio para a França. A viagem era incômoda, as estradas péssimas; tudo concorria para tornar este exílio verdadeiramente aterrador. Mas Oróbio lutou e venceu. O arguto não se conformou com o sucedido, dispunha-se a lutar contra aqueles que maldiziam e perseguiam o judaísmo. Entra na França; nesse país encontra bom acolhimento, sendo já conhecida a sua reputação como médico hábil. Começa imediatamente a insinuação tênue mas firme no meio francês. Trava relações e consegue, com pasmo de todos, alcançar a cátedra da Universidade de Toulouse, sendo pouco depois nomeado conselheiro maior do rei da França.
Oróbio de Castro estava definitivamente lançado no meio francês. Mas os intelectuais desejavam afastá-lo, achando nele uma sombra. Torturado de desgostos e desilusões resolve partir para Amsterdã.
Em Amsterdã é recebido pela colônia judaica Luso-Hispânica da Holanda; nesta cidade foi Oróbio circuncidado mudando o nome de Baltazar para Isaac. A existência de grande número de cenáculos literários em Amsterdã levou os judeus a fundar a sua academia com o nome "os Floridos de la Almendra" de que faziam parte grandes intelectualidades judaicas, sendo Oróbio, por esta sociedade, científica e literária nomeado seu presidente.
Teve relações com os maiores vultos da época, como Brendemburg, Mosseh Rafael de Aguilar, a quem Oróbio fez por meio de epístolas algumas perguntas, a que faz referência Mendes dos Remédios em sua obra ..., Espinoza, a quem atacou mais tarde, como se vê nos seguintes versos de Daniel Levi de Barrios, na Relacion de los Poetas u Escritores Españoles de la Nacion Yudayca em Amesterdam:
Ishac Oróbio, Médico Eminenete ,
Com sus libros da invidia a la sapiente,
Y em lo que escreve contra el Atheista
Espinoza, mas clara haze la vista
Três anos depois de ter lançado o seu tratado intitulado Certamen Philosoficum findava os seus dias. Foi em 7 de novembro de 1687 que a morte agitando a rede de caça, aprisionava o seu cérebro de lutador, levando um dos mais brilhantes sábios de Israel, abandonando-o na saudade! Sua mulher, que se chamava Ester sobreviveu-lhe alguns anos mais, vindo a falecer em 5 de julho de 1712. Oróbio deixou alguns filhos, tais como: o médico Mosseh Oróbio de Castro que exerceu as funções de tesoureiro da Academia de los Floridos; Abraham Oróbio de Castro, fundador duma sociedade de beneficência de Amsterdã e uma filha chamada Rebeca.
Segundo Ribeiro dos Santos, foi Oróbio muito propagado no século XVIII, sendo vários os escritores que dele fazem menção, citando-os na sua obra intitulada, Memórias da Literatura Sagrada dos Judeus Portugueses no século XVII.
Ao cabo desta escassa biografia resta-nos dar algumas indicações sobre a sua obra. É ela modesta, sendo a sua maior aspiração a defesa da sua crença religiosa o que levou Ribeiro dos Santos a opinar "a religião cristã não tem tido nestes últimos séculos adversário mais cruel e obstinado que Oróbio".
Nos seus escritos desenvolveu Oróbio, o seu sistema filosófico religioso, vivendo sempre embebido num misticismo e sensibilidade mórbida, recolhendo-se a si próprio acompanhando todas as imaginações e meditações do seu cérebro. A sua fé intensa e calorosa ajudada pela filosofia foram os ideais que o levaram a escrever os seus tratados de defesa contra aqueles, que condenavam e maldiziam o judaísmo. O seu impulso foi intenso, auxiliado por uma natureza de lutador, não temendo os ataques de católicos e protestantes. "O afamado Oróbio de Castro – escreve Lúcio de Azevedo – na história dos Cristãos Novos Portugueses – natural de Bragança, contraditor de Spinoza e polemista exaltado contra o cristianismo".
Para a sua defesa apologética, teve o grande auxílio de poder exprimir com facilidade e eloqüência nas línguas em que escreveu os seus eruditos tratados, manejando-as como língua natal. Neles Oróbio estuda à luz da razão o problema religioso, dentro da sua feição filosófica, com características novas de tese apresentadas por um método racional, não nos dando o parecer de análise mas sim de exemplificação.
O seu primeiro tratado, parece ter sido, Prevenciones Divinas Contra la Vana Ydolatria de las Gentes, obra manuscrita e da qual existem vários exemplares segundo refere Kayserling. Em seguida escreveu um tratado em que faz uma disputa contra um teólogo, que tentou provar a necessidade da vinda do messias, para assim expiar o pecado original. Este tratado intitula-se La Observância de la Divina Ley de Mosseh. Neste trabalho pretendeu o glorioso sábio demonstrar a não existência do pecado original, porque o tem como fundamento de toda a doutrina dos cristãos, dando em razão, que a alma dos filhos de Adão não estava no pecado do pai, mas vinha imediatamente de D-us, escreve ele no seu tratado: "És bien cierto que la alma racional, que es la principal parte constitutiva al hombre, no se puede contener en Adam, por que ella, vu espiritu criado de nada, por el Señor que lo infundo en el cuerpo en el instante de la generacion, y de alli viene la imposibilidad de haverse contenido em Adam, que no tenia virtud de producir la alma racional, de suerte que ella no pudo participar lo corrupción de Adam, por la generacion, pues que ella no viene de Adam, nino de Dios, que la crio pura limpia, sin pecado, ni macula".
Certamen Philosophicum – Imprimiu-se pela primeira vez em Amsterdã no ano de 1689; Foi escrito em latim, seu amigo G. de La Torre, traduziu-a para espanhol dedicando-a "ao Senhor D. Carlos de Sotto, Agente de Espana em Hollande".
A obra espanhola foi impressa pela primeira vez no ano de 1721. É com razão que Ribeiro dos Santos pondera o seguinte a respeito desta obra: "Pelo que escreveu o seu certame contra Spinoza e contra Brendemburg, e escreveu como um filósofo que tinha estudado profundamente Metafísica". É na verdade tão extraordinária, que se torna difícil classificá-la. O ataque que evoca nesta obra contra Brendemburg e Spinoza aproveitou-o o autor com inegável superioridade e intuição.
Istael Vergé – Foi publicado em espanhol e mais tarde traduzido para o inglês e francês. Este tratado foi consagrado à defesa do dogma, contra os ataques dos adversários cristãos.
Neste tratado explica o seu autor os capítulos bíblicos, que servem de base a doutrina dos cristãos, provando que eles em nada favorecem a doutrina destes, mas pelo contrário, contradizem-na, dizendo-nos ele neste tratado: "O que é que Ele ordenou dando-a a nossos pais? Segui-la sempre com a mesma pureza que o seu servidor Moisés lhes prescrevia: Ele proibiu aos seus filhos que acreditassem em deuses que os seus pais não tinham conhecido".
Junto a esta obra, vem também uma "Dissertação sobre o Messias", onde se prova que ele ainda não chegou e que segundo as promessas dos profetas que o anunciaram aos israelitas, eles esperam-no com razão", nele diz: "não há nada mais extraordinário que o querer exemplificar o texto sagrado e de se propor alguém a fazer comentários sobre as passagens mais obscuras o que se não pode compreender sem explicação quando se não faz sempre um estudo profundo da língua na qual o senhor o ditou. Tal é a situação em que se encontram a maior parte dos cristãos".
De Oróbio de Castro são também as seguintes obras:
Epístola invectiva contra Prado, tratado este que no dizer de Ribeiro dos Santos é "o mais considerável de todos os que escreveu Oróbio". Nele pretende que a Lei de Moises confirme perfeitamente com a Lei Natural, e que a predição dos futuros contingentes e dos sucessos ocultos no porvir demonstrava a sua Divindade.
Tratado em que se explica La prophesia de las 70 Semanas de Daniel.
Explicação Paraphrastica sobre o Capítulo 53 do Profeta Isahias.
Tratado ou Repuesta a um Cavalleri Francez Reformado.
terça-feira, 6 de julho de 2010
-BRAGANÇA - Uma rota de turismo cultural II
Igreja de S. Vicente

A igreja de S. Vicente é um dos mais emblemáticos monumentos da cidade de Bragança. Não tanto pela sua arquitectura (de raiz românica e reconstrução barroca), mas tão só pela talha do seu altar-mor – um monte de ouro – na expressão de José Cardoso Borges, na sua Descrição Topográfica de Bragança.
Emblemática também pelos acontecimentos históricos que lhe estão associados, dois deles merecendo especial destaque. O primeiro relaciona-se com Inês de Castro. É que, segundo a tradição, ela terá casado clandestinamente nesta igreja com o príncipe, futuro rei D. Pedro, sendo oficiante o deão da Guarda.
Emblemática também pelos acontecimentos históricos que lhe estão associados, dois deles merecendo especial destaque. O primeiro relaciona-se com Inês de Castro. É que, segundo a tradição, ela terá casado clandestinamente nesta igreja com o príncipe, futuro rei D. Pedro, sendo oficiante o deão da Guarda.
O segundo acontecimento respeita à época das invasões francesas. Com efeito, foi do patamar exterior lateral desta igreja que, ao entardecer do dia 11 de Junho de 1808, o general Jorge Gomes de Sepúlveda lançou o grito de revolta contra as tropas de Napoleão e se meteu a chefiar um movimento político-militar que rapidamente alastrou a toda a província de Trás-os-Montes e a todo o Norte de Portugal. Comemorando esta proclamação, lá está, na parede exterior da igreja um painel de azulejos alusivo à cena, inaugurado em 11.6.1929.
Para além disso, a igreja num dos espaços mais nobres da cidade. Por isso mesmo se chamava Principal ao largo que lhe está fronteiro. O Principal era então a praça mais importante da urbe, o elemento de ligação entre a cidade e a vila (entendendo-se esta como o núcleo urbano sito dentro das muralhas) e nela convergiam todos os arruamentos.
Não por acaso, adossado à mesma parede lateral e junto à porta principal do templo, foi construído um chafariz de granito. Sim, esta era uma infra-estrutura vital para a praça maior de Bragança, o espaço privilegiado para o desenrolar das actividades comerciais, lúdicas e políticas da terra, o local de encontro quotidiano dos cidadãos. Ali se realizavam as touradas e as mouriscas, as danças e as comédias, nas grandes festas reais.
Por outro lado, a igreja de S. Vicente constitui um notável monumento da história judaica de Bragança e por ela passa, obrigatoriamente, a Rota dos Judeus. Nela, mais do que em qualquer outra parte, se guardam as memórias da “gente da nação” de Bragança. Isto porque ela era o espaço religioso mais frequentado pelos cristãos-novos da terra e o local de eleição para enterrarem os seus mortos. Expliquemos a razão.
Antes de mais, sabem os leitores que, naquele tempo, as pessoas eram enterradas no interior das igrejas e os cristãos-novos não podiam fazer de outro modo, se bem que um dos preceitos da lei de Moisés seja o de que os mortos devem ser enterrados em terra virgem, ou seja, em sítio onde ninguém tivesse antes sido sepultado.
Era difícil, ou mesmo impossível, conseguir tal objectivo, na generalidade dos casos. Em S. Vicente, porém, nos anos de 1700 abriu-se uma janela de oportunidades nesse sentido. Recordam-se de termos dito que a igreja foi reconstruída e ampliada? Isso terá acontecido em finais do século XVII e as obras terão sido conduzidas pela Confraria de Santa Cruz, a qual era dominada por cristãos-novos. E estes é que pagariam as tais obras. E ter-se-á então estatuído um preço bem elevado por cada sepultura que naquela igreja se abrisse: 4800 réis, quase 10 vezes mais do que em Bragança se pagava pelos enterramentos em outras igrejas, nomeadamente na igreja matriz que até era de maior nobreza e dignidade, se é que tais palavras são adequadas.
A verdade é que, na igreja de S. Vicente apenas a gente da nação hebreia gostava de enterra os seus mortos, certamente porque nela havia sítios onde ninguém fora enterrado antes e isso resultou das obras de ampliação efectuadas.
E já que estamos falando de enterros, diga-se que aquela gente também se preocupava grandemente com a forma de amortalhar os seus defuntos. Veja-se, a tal respeito, a descrição feita da mortalha de uma jovem enterrada em S. Vicente no dia 7 de Março de 1747, feita pelo padre que presidiu ao funeral:
- Assistindo ele ao enterro de Luísa, solteira, irmã de Baltasar Gomes e de José Gomes, sobrinha de António Rodrigues Ferreira e Francisco Rodrigues Ferreira, cristãos-novos, moradores na rua dos Oleiros, freguesia de Santa Maria, observando ele testemunha a mortalha que a dita defunta levava, por ter lido os editais do Santo ofício, viu que a dita defunta levava uma camisa nova em folha, em pano de linho fino, com as mangas puxadas para fora, e ouviu dizer ao padre Bernardo Álvares e a Joana Maria Ferreira, mulher de Diogo Pinto, vizinhos da casa da dita defunta, que eles tinham visto que a dita defunta também levava uma anágua em folha e que todos os mais fatos que levava, assim touca de freira como os mais adornos, eram novos e muitas pessoas das que assistiram ao dito enterro fizeram observação e reparo no referido, em tal forma que António Lopes, tesoureiro da igreja de S. Vicente, aonde foi sepultada a dita defunta, veio falar com ele testemunha dizendo que se admirava muito que os párocos consentissem se enterrasse tal cristã-nova com aqueles hábitos novos sabendo que era proibido pelos editais do Santo Ofício e disse o tal tesoureiro que até o pano com que lhe cobriram a cara era novo em folha; e que ao dito enterro assistiu muita gente e muitos clérigos e que faziam o mesmo reparo, como era o padre Bernardino Álvares, o padre Manuel de Morais, o padre Inocêncio da Cunha, o padre sacristão da igreja de Santa Maria, o padre José Domingues e o padre António da Cunha. E que leu nos ditos editais por ter lido aos seus fregueses. E que o padre Manuel Rodrigues Ferreira, tio da defunta, irmão dos sobreditos…

Por finais do século XVII, a igreja de S. Vicente terá sofrido obras de remodelação / ampliação, metendo-se ao corpo da mesma o espaço ocupado por uma torre que foi demolida. Era, pois, um espaço de terra virgem, onde ninguém fora antes enterrado. E foi exactamente nesse espaço que a família do advogado mais distinto de Bragança, o dr. António Gabriel Pissarro comprou uma sepultura para enterrar o seu pai, Pedro Álvares Pissarro, cremos que falecido no ano de 1737.
Era então cura dessa igreja o padre Bento Rodrigues. E uma coisa que o intrigava era o facto de os cristãos-novos preferirem enterrar os seus mortos em S. Vicente, uma igreja de menos categoria e menos assistida, do ponto de vista religioso, e não nas igrejas de freguesia como eram as de S. João e Santa Maria. Além de que a sepultura ali custava 4 800 réis e nas igrejas de paróquia o preço era de 500 réis, quase 10 vezes mais!
Resolveu-se, pois, o padre Bento tirar a limpo essa história da terra virgem. Programou para isso acompanhar a abertura da cova para o Pedro Álvares que era tido como o “rabi” da sinagoga da cidade, o homem “que explicava a lei mosaica aos mais cristãos-novos” – no dizer de uma testemunha cristã-velha. André Borges foi quem tratou da compra e marcação do terreno, acompanhando o trabalho do coveiro que era um tal João Rodrigues Bugalho, cristão-novo também e muito amigo da família. E como a terra era dura e apareciam muitas pedras, o padre Bento mandou parar e que abrissem a cova noutro sítio. Argumentou o Borges que aquela era a vontade do defunto, que deixou em testamento a indicação do sítio onde o haviam de enterrar, que era o mesmo onde já fora enterrada a sua mulher.
Condescendeu o padre, mas com uma condição: assim sendo, haviam de aparecer ossos. Caso contrário, teriam de tapar aquela sepultura e abri-la em outro sítio da igreja.
Ficou o coveiro no trabalho e André Borges foi-se ao adro da igreja de S. João e ali andavam uns ossos pela terra, ao ar livre, sabe-se lá de quem seriam! E recolheu alguns e voltou a S. Vicente. Com água benta da pia, molhou-os e depois “os incodrigaram na terra” para dar o aspecto de que ali estiveram enterrados. Só que, entretanto, voltou a aparecer o padre Bento e, apanhando-os a fazer o trabalho, com os ossos a escorrer água… mandou-os tapar a cova e abrir outra, acaso ameaçando-os com a Inquisição.
Mas não desistiram e logo foram ter com o vigário geral, a autoridade de maior peso na terra, na esfera do eclesiástico, queixando-se que o cura de S. Vicente os não deixava cumprir a última vontade do defunto.
Despachou o vigário a seu favor a petição e, com o despacho na mão, voltaram eles ao seu trabalho. E foi a vez de o padre Bento ir ter com o seu superior e explicar-lhe a razão da sua atitude, que era a de impedir uma cerimónia judaica, que não era por respeito à vontade do defunto que abriam a cova naquele sítio, mas porque a lei de Moisés ordena que os defuntos devem ser enterrados em terra virgem.
Naturalmente que o vigário revogou o despacho anterior e ordenou que a sepultura de Pedro Álvares Pissarro fosse aberta em outra parte do templo.
Esta foi uma culpa que, anos depois, foi incluída no processo de António Gabriel Pissarro, pela acusação.
Outras histórias de enterramentos judaicos na igreja de S. Vicente poderíamos contar, justificando plenamente a sua inclusão na Rota dos Judeus pela cidade de Bragança.
Outro aspecto que, porventura, pode lançar outras luzes sobe a ligação deste templo à comuna marrana de Bragança é a história da Confraria de Santa Cruz que está por fazer. É que foi exactamente esta Confraria que financiou e dirigiu as obras de remodelação/ampliação da igreja e era nos seus cofres que entrava o dinheiro pago pelas sepulturas. Importaria ver quem eram os confrades e os mordomos que presidiam à sua direcção. Até que ponto seria uma Confraria de marranos, destinada exactamente a esconder cerimónias e ritos funerários marranos.
António Júlio Andrade
Maria Fernanda Guimarãessegunda-feira, 5 de julho de 2010
-Uma Família de Cristãos-Novos em Bragança
Filipe Pinheiro de Campos
Edição: 2007
3 vols.
Sinopse:
O presente conjunto de três volumes corresponde a uma aturada investigação de Filipe Pinheiro de Campos em torno de uma família de cristãos-novos estabelecidos em Bragança nos finais do século XV, consagrando um elevado número de casas com relevância na cidade e na região, assim como nas cidades de Lisboa e do Porto.
Com prefácio do Professor Doutor António de Sousa Lara, esta obra genealógica é de grande relevância histórica e social para o estudo do percurso dos cristãos-novos transmontanos e da sua inserção social e cultural na sociedade Portuguesa, abrange um grande número de personalidades e ramos familiares …sexta-feira, 2 de julho de 2010
-VULTOS JUDAICOS BRAGANÇANOS
Francisco da Fonseca Henriques (Dr. Mirandela)

· Al Alimentação, qualidade do ar, higiene e descanso são alguns dos temas desta obra. Sua primeira edição é de 1721, mas o texto traz diversas recomendações surpreendentemente atuais para manter uma vida saudável. A obra teve apenas três reedições, todas no século XVIII, e ressurge agora com glossário. A linguagem foi atualizada pelos professores Manoel Mourivaldo Santiago Almeida, Leônidas Querubim Avelino (UFMT), Sílvio de Almeida Toledo Neto e Heitor Megale (USP).
Sumário
Prefacio – Dr. Cássio Ravaglia
O Primeiro Tratado de Nutrição em Língua Portuguesa – Dr. Sérgio de Paula Santos
âncora medicinal
Ao Excelentíssimo Senhor
Excelentíssimo Senhor
Ao Leitor
Licenças do Santo Ofício
Antelóquio
Seção I – [do ar ambiente]
Sumário
Prefacio – Dr. Cássio Ravaglia
O Primeiro Tratado de Nutrição em Língua Portuguesa – Dr. Sérgio de Paula Santos
âncora medicinal
Ao Excelentíssimo Senhor
Excelentíssimo Senhor
Ao Leitor
Licenças do Santo Ofício
Antelóquio
Seção I – [do ar ambiente]
I. O que Seja Ar e que Poderes Tenha no Corpo Humano. II. Da Eleição do Ar
Seção II – [dos alimentos em comum].I. O que Seja Alimento, como se Coza no Estômago e Quais Sejam os Melhores Alimentos para as Pessoas que Têm Saúde.II. Da Quantidade de Alimento. III. Qual Seja mais Saudável, a Mesa que Consta de um só Alimento ou a que se Compõe de Muitos.
IV. Da Ordem com que se Hão de Usar os Alimentos
V. Quantas Vézes e em que Horas se Há de Comer Cada Dia
VI. Se o Almoço Há de Ser Maior que o Jantar, se o Jantar Maior que o Almoço
VII. Se os Alimentos do Jantar Devem Ser Diferentes dos do Almoço?
VIII. Se é Melhor Comer Assado ou Cozido?
IX. Do Alimento Próprio para Cada Idade e Temperamento
X. Do Alimento Próprio de Cada Témpo do Ano
Seção III – [dos alimentos em particular]. I. Do Pão de Trigo.II. Do Pão de Centeio, de Milho, de Cevada e Aveia. III. Dos Animais Quadrúpedes em Comum. IV. Das Carnes dos Quadrúpedes em Particular. V. Das Entranhas e Extremidades dos Animais Quadrúpedes.VI. Das Partes Líquidas dos Quadrúpedes que Servem de Alimento .VII. Dos Animais Voadores. VIII. Dos Ovos (Ova Gallinae).IX. Dos Peixes em Comum. X. Dos Peixes em Particular. XI. Dos Legumes. XII. Da Hortaliça Sativa e Esculenta. XIII. Das Raízes Sativas. XIV. Das Raízes que se não Semeiam e dos Cogumelos. XV. Dos Frutos Sativos. XVI. Dos Frutos das Árvores. XVII. Dos Frutos Lenhosos. XVIII. Dos Condimentos. XIX. Dos Aromas
Seção IV – da água, do vinho e de outras bebidas alimentares e medicamentosas que no presente século se frequentam.I. Da Água e suas Diferenças. II. De que Água se Há de Usar, em que Quantidade, em que Tempo e com que Ordem se Há de Beber.III. Se se Há de Beber Água Fria, se Quente, Crua, ou Fervida; e das Utilidades e Danos de Cada uma Delas.IV. Da Água Nevada, Sorvetes, Limonadas de Neve; e da Água Fria nos Poços e ao Sereno, e de Outras Bebidas.V. Do Vinho e suas Diferenças.VI. Qual Seja o Melhor Vinho; se Devem Usar Dele as Pessoas que Têm Saúde; em que Quantidade se Há de Beber e das Utilidades e Danos que Causa.VII. Se o Vinho se Há de Beber Puro, se Linfado.VIII. Propõem-se Algumas Advertências que se Devem Observar no Uso do Vinho.IX. Da Aguardente, do Espírito de Vinho, da Água-da-rainha-da-Hungria e do Arrobe de Vinho.X. Da Cerveja.XI. Do Chocolate.XII. Do Chá.XIII. Do Café.XIV. Do Licor a que Chamam Sidra.XV. Do Hidromel Vinoso e do Mulso
Seção V – do sono e vigília; do movimento e descanso; dos excretos e retentos e das paixões da alma
I. O que Seja Sono e que Utilidades e Danos Cause no Corpo Humano. II. Em que Tempo, Quantas Horas e com que Decúbito se Há de Dormir.III. Que Coisa Seja Vigília e Quais os seus Efeitos no Corpo Humano.IV. Do Movimento, ou Exerácio. Mostra-se o que Seja Exercício e as Utilidades que dele se Seguem.V. Do Descanso. Mostra-se o Muito que Ofende a Falta de Exercício.VI. Dos Excretos e Retentos.VII. Das Paixões da Alma
Glossário
Índice das Coisas que se Contêm neste Livro
Índice das Coisas que se Contêm neste Livro
Autor: Francisco da Fonseca Henriquez
Biografia: Francisco da Fonseca Henriquez:
Biografia: Francisco da Fonseca Henriquez:
Nasceu em Mirandela, em 6.10.1665 e faleceu em Lisboa, em 17.4.1731. Formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra e foi médico de el rei D. João V Foi autor de vários tratados científicos que o Abade de Baçal menciona no Tomo VII das suas Memórias, p.p. 239/241. Enalteceu-o também Francisco da Fonseca Henriques, médico de D. João V falando das águas de caldas, fontes, rios, poços, lagoas e cisternas do reino de Portugal dignos de particular memória em 1726: "o barro he de tal natureza que do muy fino, não só se fazem púcaros e quartos de boa forma, mas também figuras e brincos que servem de adorno e compostura de casas, no que se tem aprovado muyto o primor dos Artifícios, com utilidade sua".
Fontes: Ateliê Editorial e C.M.M.
Fontes: Ateliê Editorial e C.M.M.
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